[[legacy_image_94180]] Diante da flexibilização que libera o funcionamento sem restrições de horário e capacidade em estabelecimentos comerciais, anunciada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), infectologistas da Baixada Santista olham com preocupação com os possíveis reflexos da nova medida na região, com destaque para a possibilidade da rápida circulação da variante delta, que já registrou casos em duas cidades. Para os médicos ouvidos por A Tribuna o momento é de muita preocupação. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Os especialistas Marcos Caseiro e Elisabeth Dotti consideram o anúncio de Doria precipitado, mesmo com a necessidade da retomada do comércio, das escolas e da vida voltar a se aproximar ao que era antes da pandemia. “Flexibilizar é algo que sempre deixa a gente muito estressado e preocupado, porque a gente não quer perder o avanço que tivemos em relação ao número de leitos e internações aqui na Baixada Santista”, observou Dotti. Os dois demonstram uma maior apreensão em relação à disseminação da variante delta, mais transmissível e infectante que as demais cepas do coronavírus, tendo em vista que a aplicação da primeira dose da vacina contra a covid é pouco eficaz neste caso. “É preocupante, porque a gente tem publicações que mostram que há uma proteção razoável contra essa cepa, após duas vacinas, mas a gente tá apenas com cerca de 25% de proteção da população brasileira com duas doses”, avaliou Caseiro. Um estudo da revista Britânica New England Journal of Medicine, demonstrou que a Astrazeneca e Pfizer tem eficácia de 33%, após a aplicação do primeiro imunizante e aumenta para 60% e 88%, respectivamente, depois da segunda vacina. Já no caso da CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan no Brasil, uma pesquisa preliminar publicada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, revelou que o imunizante é 100% eficaz contra os casos graves de covid desencadeados pela variante delta apenas depois da imunização total contra a doença. [[legacy_image_94181]] Na Baixada Santista, até sexta-feira (20), a média de vacinação completa entre a população dos nove municípios da região, era de 32,3%. No Brasil, essa porcentagem cai para 25,50%. “É uma porcentagem alta [da Baixada] em relação ao resto, mas é baixa em relação ao necessário. A gente teria que estar pelo menos com 65%, 70% para começar a conversar”, observou Dotti. Ideia que também é compartilhada por Caseiro. Para ele, a flexibilização total dos estabelecimentos comerciais deveria ser pensada, a partir de, no mínimo, 50% da população com a imunização completa. Outro ponto destacado por Dotti é a preocupação a quantidade de turistas que circulam na região. “A Baixada tem um grande problema que são as praias. Então toda flexibilização cria um impacto imenso, então a gente dobra a preocupação, a gente fica com mais medo, porque todas essas pessoas podem trazer o vírus e as variantes para cá”. “A questão é como lidar com a flexibilização, esse é o desafio, o que fazer para gente não ter um aumento do número de ocupações, de leitos de UTI, o que fazer para essa variante não exterminar e fazer a bagunça que outras já fizeram (...). O problema não é a flexibilização, o problema é o ser humano, então tem que ter um cuidado muito precioso com tudo o que conquistamos até agora”, finalizou.