[[legacy_image_300987]] Andréia Salvador é fisioterapeuta há mais de 18 anos, PHD em fibromialgia, educadora física e bailarina. Ela falou sobre a doença, o diagnóstico e um método de reabilitação baseado na dança. Existe uma estimativa de que a cada dez mulheres, nove sofrem com a fibromialgia. Existe algum motivo específico pra isso? Por que as mulheres são as mais atingidas? Existem muitas pesquisas em cima disso, mas a gente vê que os homens também demoram para buscar o tratamento. Acredita-se que as mulheres têm uma sobrecarga muito maior nos últimos anos. Isso, ligado ao estresse emocional, acaba desencadeando a fibromialgia. Mas se ela não tiver uma predisposição genética, não vai desenvolver. Então é muito específico, não é qualquer pessoa que passa por um estresse físico que vai desenvolver a fibromialgia. Está muito ligado ao trauma físico e emocional, mas tem que ter esse componente genético. É difícil fazer esse diagnóstico? Muito, é difícil o diagnóstico. Não dá em exame nenhum. O médico vai por descarte, vai fazendo os testes, os exames e quando ele vê que não tem nenhuma alteração física, começa a fazer o diagnóstico clínico. Então por isso que demora. Leva de um a dois anos para poder conseguir chegar no diagnóstico mesmo. A fibromialgia atinge principalmente quem tem mais de 30 anos, mas isso também pode acontecer com jovens? A maior incidência é de 30 a 35 anos, tem também dos 50 a 60 anos, mas nada impede que uma criança ou uma pessoa mais idosa possa desenvolver a fibromialgia. Eu tenho histórico de mulheres que já na infância sentiam dores crônicas nas pernas, aquela dor de crescimento, e isso já era um indício de que a fibromialgia podia aparecer. Você criou um método de dança com reabilitação para ajudar esses pacientes. Como isso funciona? É muito difícil ter profissionais especialistas em dor, quanto mais em fibromialgia e reumatologia. O método nessa reabilitação veio pra trazer esse alívio das dores, da questão emocional e desse afastamento social. A gente trabalha com a reabilitação unindo esses fatores de corpo e mente. Ao mesmo tempo que a pessoa vai fazer movimentos leves e prazerosos, nós trabalhamos para ajudar a fazer esse reajuste mental. Às vezes é um padrão de pensamento e comportamento que gera essa postura, essas dores nas costas. Então, à medida que vamos apreendendo a conscientizar sobre a postura, meditação e mudar os pensamentos, automaticamente isso não reflete no corpo e vai relaxando os músculos. As fibromiálgicas carregam o mundo nas costas. São aquelas que fazem tudo que elas podem e isso dói demais o corpo, então é reaprender como conviver no dia a dia. Você criou uma plataforma própria que ajuda e orienta esses pacientes. Em relação aos atendimentos, você já realizou mais de 50 mil, não só aqui no Brasil, como em outros países. Você consegue ver reflexos positivos nesses pacientes? Quando chegam os relatos, ou as vezes a própria família ou o marido escrevendo e agradecendo, chega até a fechar a garganta e eu que penso: Nossa! Realmente a dança e o movimento vão além do que a gente imagina. Tudo isso tem embasamento científico, mas quando a gente vê no dia a dia que aquela pessoa que não conseguia vestir um tênis ou fazer uma caminhada e hoje está ativa e consegue fazer as atividades, é muito legal. Por mais que ela sinta dor, é uma dor controlada, é uma dor que vai e volta só quando ela está em momentos de crise e estresse, pois a gente consegue controlar o máximo possível. Você também desenvolve um projeto social em Peruíbe que é o Corpo Falante. Como você lida com essa proposta? Foi um projeto que a gente faz em parceria com a Faculdade de Peruíbe. É um projeto de extensão em que atendemos idosos, pessoas com fibromialgia e outras doenças crônicas, que utilizam o método da dança reabilitação para aliviar suas dores e fortalecer a musculatura. Ele existe há 10 anos e está indo superbem.