[[legacy_image_247941]] Um menino de 12 anos luta para voltar à rotina normal após sofrer uma perfuração no intestino. Guilherme Miguel Nascimento Paiva está internado se alimentando por uma sonda apenas com suplemento e não consegue sequer tomar água. A mãe alega que o adolescente foi vítima de negligência médica em hospitais públicos de Praia Grande e pede ajuda para arcar com os custos do tratamento dele no setor particular da Santa Casa de Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Mesmo sem condição alguma, pensei em salvar a vida do meu filho”, relata Vania Silva Nascimento Paiva sobre a decisão de levar o menino para o médico particular. De acordo com ela, a decisão foi um ato de desespero após ver o filho sofrer de dor e febre sem auxílio médico no Hospital Irmã Dulce. A mulher conta que tudo começou quando o adolescente se queixou de dor abdominal, vômito e diarreia no fim de janeiro e, desde então, o levou para atendimentos nos prontos-socorros Central e Quietude, ambos em Praia Grande, onde eles vivem. No entanto, o diagnóstico sempre foi de virose. “Até que na última vez que fomos, a quinta vez, a médica pediu raio-x e um exame de sangue”, diz sobre o episódio que aconteceu no Pronto-Socorro (PS) Quietude. O resultado ficou pronto na madrugada do dia 31 e apontou algumas alterações. “Ela falou que tinha um desvio que poderia ser da apêndice e ia pedir uma transferência para o Hospital Irmã Dulce”, explica. Junto com o filho, Vania esperou pela ambulância que levou a família para o PS Central, recém-inaugurado em Praia Grande. Eles chegaram por volta das 9h30 e foram atendidos por uma cirurgiã. “Examinou ele e falou que realmente apresentava os sintomas para ser, mas precisava de uma tomografia que ali no PS Central não tinha, (o equipamento) estava quebrado. Então teríamos que ir para o Irmã Dulce”. No entanto, a febre do menino ficou em 39°C. “Não abaixava de jeito nenhum nem com dipirona ou paracetamol”, ressalta a mãe, dizendo que eles aguardaram a transferência em uma sala de inalação com diversos outros pacientes. “Nenhum estava tomando inalação, estavam todos esperando um leito”, relembra. Enquanto esperavam, o menino ficou enrolado em um cobertor com muito frio e, por isso, a equipe médica disse que iria dar novamente a medicação mas, antes disso, Guilherme começou a vomitar. “Me bateu o desespero e comecei a falar muito alto no hospital que precisava da transferência dele, que estava esperando desde 9h30”, diz a mulher. Ela afirma que só conseguiu a transferência por volta das 15h, após entrar em contato com um vereador da cidade. Irmã DulceO paciente chegou ao Irmã Dulce por volta das 17h, mas Vania afirma que o filho só recebeu atendimento às 23h. “O cirurgião apareceu para examinar e pedir uma tomografia. Constatou um apêndice, e disse que ele iria operar às 6h do dia seguinte”, conta, ressaltando que o filho só foi operado às 16h. Ao terminar o procedimento, a médica foi conversar com a mãe. “A médica saiu do centro cirúrgico dizendo que a cirurgia tinha acontecido, porém o intestino dele tinha necrosado um pedaço e provavelmente se voltasse a ter febre, teria que abrir novamente para lavar novamente porque estava tudo muito podre lá dentro. Essas foram as palavras dela”. Vania conta ainda que o Guilherme voltou da cirurgia com dor e, no dia seguinte, teve a febre de 39°C novamente. Por isso, a mãe pediu por exames e uma avaliação médica para descobrir o motivo da febre constante. Ela diz ainda que ficou confusa, pois a alimentação do adolescente continuava sendo normal, apesar de ter ouvido que o intestino dele estava necrosado. “Fui informada pelo enfermeiro que o médico estava em cirurgia e não poderia descer. Foi passando o dia inteiro, quando foi por volta das 23h, meu filho gemia e chorava de dor dizendo que não ia aguentar”, relembra Vania, que resolveu ir conversar com o enfermeiro-chefe questionando onde teria que assinar um termo de responsabilidade para tirar o menino do hospital e levar para outra unidade. Ela diz que o profissional perguntou o motivo da decisão e ela respondeu que estava pedindo ajuda para algum médico avaliar o pós-cirúrgico e não apareceu ninguém. “Aí ele falou: ‘não precisa assinar termo nenhum de responsabilidade, pega seu filho e vá’”. Sendo assim, a mulher iniciou as buscas por ambulâncias particulares e, inclusive, chegou a pedir sugestões para o enfermeiro, que disse não ter autorização para dar essas informações. “Eu concordei e perguntei se ele autorizava, caso eu conseguisse ambulância, pegar meu filho dentro do quarto porque ele não conseguiria ir para a frente do hospital com tanta dor e com dreno”, afirma, dizendo que o enfermeiro respondeu que ela poderia fazer como achasse melhor. Após pesquisar na internet, Vania encontrou uma ambulância para fazer o transporte até a Santa Casa de Santos. “Foi minha única opção para salvar meu filho”, enfatiza a moradora de Praia Grande, que se deparou com a médica chamando a família para uma nova tomografia bem no momento em que a equipe da ambulância retirava o adolescente do quarto. Segundo Vania, a médica chegou a questionar o motivo para a decisão e a mãe explicou novamente. Por isso, a profissional pediu para que o menino continuasse pelo menos com o antibiótico, mas o enfermeiro da ambulância já tinha tirado o acesso do adolescente. “Não questionei, entrei na ambulância e fomos direto para a Santa Casa pelo particular”. Guilherme segue internado na unidade desde o último dia 4. “A cirurgia dele foi no dia 1º. Foi constatado como perfuração no intestino”, afirma, dizendo que o menino não sofreu necrose conforme relatado no outro hospital. “Na hora de eles fazerem a cirurgia da apêndice, perfuraram o intestino dele. Então o dreno que ele tem na barriga que era para estar saindo secreções e resíduos da cirurgia, está saindo fezes”, explica Vania. Agora, Guilherme se alimenta por suplemento. “Para que o intestino fique paradinho, pare de sair essas fezes e o antibiótico vá fazendo efeito de ir fechando cada vez mais essa perfuração que foi feita no intestino”. No entanto, o adolescente não tem previsão de alta médica, já que o tratamento é conservador e com “passinhos de formiga”. Desta forma, a família une forças com amigos para arrecadar o dinheiro necessário para os custos do serviço particular (até dia 13, avaliado em R\$ 36,4 mil) por meio de uma vaquinha virtual. “Também fazemos vários tipos de rifas para arrecadar o maior valor possível. Somos de uma família humilde, estou desempregada, mas na hora do desespero para salvar meu filho, eu trouxe para o particular onde está sendo muito bem assistido”, finaliza Vania. RespostasEm nota, o Hospital Irmã Dulce esclareceu que o paciente "deu entrada na unidade no dia 01/02/2023 com um quadro de dor abdominal. Com 8 dias de sintomas em casa, foi atendido e diagnosticado com apendicite aguda complicada. Prontamente foi realizada a cirurgia, sem intercorrências". Ainda segundo a unidade, não houve perfuração intestinal, "sendo colocado um dreno para facilitar o escoamento de fluídos acumulados na região". Ainda de acordo com a nota, o paciente recebeu os cuidados em leito de enfermaria. "A mãe foi acolhida e orientada sobre a gravidade, e mesmo assim sabendo de todos os riscos evadiu-se com o filho no dia 03/02/2023, um pouco antes da meia noite". O Hospital ainda se colocou à disposição para esclarecimentos e acolhimentos dos familiares. A Prefeitura de Praia Grande e a Santa Casa de Santos não responderam aos questionamentos da Reportagem.