[[legacy_image_327770]] O calor dos últimos dias tem reforçado uma queixa antiga de quem usa os ônibus intermunicipais da BR Mobilidade pela Baixada Santista: a ausência de ar-condicionado. O aumento recente do valor da tarifa apenas reforçou a indignação dos passageiros. Os motoristas também têm sentido na pele o calor. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Sob condição de anonimato, um condutor descreveu a jornada de tensão - e calor - permanentes a bordo de ônibus intermunicipais nos dias em que a temperatura é elevadíssima. “O painel mostra 40°C, 44°C de temperatura ambiente. Mas a sensação térmica é muito maior. A viagem costuma durar 1h50. Se pegar um pouco de trânsito, pode chegar a duas horas, principalmente em horário de pico. E o calor é insuportável”, conta. Quem conduz o ônibus, entretanto, está sujeito a um calor ainda maior. “Eu mesmo, ao dirigir do lado de um motor de 90 graus e que, às vezes, chega a 94, 95. O ar-condicionado seria essencial. Infelizmente, qualquer dia desses, alguém vai passar mal, quem sabe de modo fatal”, analisa. O motorista vai além na sua análise. “Se quem está dirigindo perde o controle do coletivo, é acidente na certa. Podemos machucar muitos passageiros. Então, já viu, né?”, resume. Usuários renovam queixasSe a situação não é fácil parta quem conduz o ônibus, os usuários dos veículos também sentem muito a falta do ar-condicionado. A Tribuna fez matéria a respeito do tema em novembro. Mudam os personagens, mas os relatos seguem recheados de críticas. “Como podem aumentar o valor das passagens para R\$5,55 e não ter ar-condicionado nesses dias de calor. Dia desses, precisei usar o ônibus intermunicipal na linha 909 (Guarujá-Cubatão) para trabalha e quase passei mal de tanto calor”, diz o atendente de lanchonete Marco Aurélio dos Santos Assunção. Morador do bairro de Santa Cruz dos Navegantes, ele também usa os ônibus intermunicipais, eventualmente, para ir até São Vicente visitar familiares. Mas o drama é o mesmo. “Espero que isso mude”, torce. A funcionária pública aposentada Maria de Fátima Barbosa Ongaro, de 70 anos, compartilha da mesma queixa. Moradora do bairro Aviação, em Praia Grande, ela enumera situações onde o calor excessivo nos ônibus causou problemas. “Eu vi várias vezes pessoas passando mal. Não chegou a acontecer comigo, mas muita gente passa, porque é realmente um absurdo. Eu usei as linhas 912, 934,927 e, como são trajetos muito longos, o problema da falta de ar-condicionado fica mais evidente”, resume. Outro ladoEm nota, a EMTU admite a falta de ar-condicionado nos veículos de serviço comum e, assim como há dois meses atrás, garantiu que “segue em constantes tratativas para ampliar o número de veículos com ar-condicionado na frota metropolitana de todas as regiões”. A empresa afirma, entretanto, que “na Baixada Santista, os VLTs e todos os ônibus seletivos (de característica executiva) possuem ar-condicionado. São os ônibus das linhas 910 (Peruíbe-Santos), 921 (Itanhaém-Santos) e 929 (Bertioga-Guarujá)”.