[[legacy_image_172213]] Se já não bastasse o constante aumento do preço da gasolina ao longo dos últimos meses, esse mesmo fenômeno foi percebido recentemente pelos motoristas que passaram a abastecer os veículos com o etanol como forma de economizar. Porém, a tendência é que os valores desse combustível comecem a cair no próximo mês, segundo especialistas ouvidos por A Tribuna. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na última semana, o preço médio do litro do etanol subiu de 2,23% a 7,27% na Baixada Santista (entre os dias 17 e 23 deste mês), na comparação com a semana anterior (de 10 a 16 de abril), segundo cálculos de A Tribuna baseados em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A menor variação ocorreu em Santos, onde o preço médio do litro passou de R\$ 5,32 para R\$ 5,439. A maior alta foi verificada em São Vicente: de R\$ 4,978 pulou para R\$ 5,34. Itanhaém tem o valor médio do álcool mais elevado na região (R\$ 5,684). Muitos motoristas preferem abastecer com etanol após fazer uma conta simples. Essa opção se torna mais vantajosa se o valor do litro for menor ou igual a 70% do preço da gasolina. A partir dos dados da ANP, se conclui que não é bom negócio utilizar álcool agora. E o preço médio da gasolina chegou a ter variação negativa em Praia Grande (0,14%), Cubatão (0,64%), Santos (0,90%) e São Vicente (1,03%). ExplicaçõesO analista de mercado da consultoria Safras & Mercado Mauricio Muruci explicou que a alta no etanol nos últimos dias decorre de uma elevação do preço nas usinas nas duas primeiras semanas deste mês. “O problema é que as distribuidoras fizeram esse estoque a preços mais altos, e isso foi repassado aos postos. Esses valores nas usinas já pararam de subir e começaram a cair na última semana, mas ainda não chegaram até as bombas, o que deve ocorrer em maio”, disse. O especialista explicou que o preço desse combustível subiu em razão de a safra da cana-de-açúcar (a matéria-prima do etanol) no Centro-Sul ter começado atrasada. Além disso, havia um estoque muito baixo nas usinas. “Desde a segunda metade de fevereiro, algumas delas já começam a moer a cana. Em média, de 30 a 35 usinas no Brasil estão operando nesse período, mas tivemos apenas 12 neste ano”, afirmou. Conforme o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, o preço do álcool vendido pelos produtores atualmente teve queda de 15%, equivalente a R\$ 0,50 por litro. “De novembro até o dia 4 de março, o valor do etanol caiu mais de R\$ 1,00 por litro e isso chegou às bombas, o que gerou uma grande procura por esse combustível”, afirmou. O representante da instituição citou, ainda, que a alta demanda dos consumidores, aliada à oferta muito curta e restrita, gerou um problema de logística e de falta de planejamento por parte das distribuidoras. A consequência direta dessa situação pressionou o preço do álcool. “Um grande volume de unidades produtoras entrou em safra na segunda quinzena deste mês. Por esse motivo, estamos vendo uma queda significativa do valor para o produtor nos últimos dez dias, e isso deve chegar em breve à população. O aumento foi algo sazonal e pontual”, frisou. Política equivocadaO presidente do Sindicombustíveis Resan, José Camargo Hernandes, afirmou que os constantes aumentos do preço da gasolina e do álcool no País ficaram muito acima da capacidade de consumo da maioria da população. A entidade representa cerca de 300 estabelecimentos na Baixada Santista e no Vale do Ribeira. Essa é uma conse-quência direta da política de Preço de Paridade de Importação (PPI) adotada pela Petrobras desde 2016, quando os valores dos combustíveis passaram a ser atrelados às variações do petróleo no mercado internacional. “Essa política de preços adotada pela Petrobras é extremamente danosa para os postos revendedores. A cada dia que passa, precisamos usar mais o nosso capital de giro para pagar as compras feitas junto às distribuidoras”, desabafou. Hernandes explicou que, em média, essas operações normalmente são pagas entre cinco e sete dias, mas os estabelecimentos devem aguardar de 30 a 35 dias para receber pelas vendas feitas por meio de cartões de crédito, por exemplo. Em relação ao recente aumento do etanol, o representante da instituição disse que uma determinada distribuidora aumentou, no início deste mês, o litro desse combustível em R\$ 0,55, o que representou uma alta de 13%. “Isso sem contar os problemas de abastecimentos sofridos por alguns postos. As distribuidoras não estavam entregando a quantidade de etanol solicitada. A gasolina também subiu, pois ela tem (em sua composição) 27% de etanol anidro”, explicou Hernandes.