[[legacy_image_27099]] Em meio ao debate sobre isolamento vertical ou horizontal e uma queda de braço particular com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), apresentou nesta segunda-feira (30) dados que mostram que as medidas de contenção adotadas pelo estado estão surtindo efeito. Ele também aproveitou para cutucar o chefe do Executivo nacional e questionar seu papel de liderança nas últimas semanas. "Por favor, não sigam as orientações do presidente [Jair Bolsonaro]. Ele não orienta corretamente a população e, lamentavelmente, não lidera o Brasil no combate ao coronavírus e na preservação da vida", disse Doria. Segundo o governo paulista, as ações já seguram a disseminação da Covid-19, garantindo a disponibilidade de leitos na rede hospitalar. Sem a quarentena decretada pelas administrações estadual e da Capital, o pico de casos de internação ocorreria já na primeira semana de abril, levando o sistema de Saúde ao colapso. É isso o que mostram dados de um estudo feito pelo Instituto Butantan, em parceria com o Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo e a Universidade de Brasília (UnB). As conclusões foram apresentadas durante coletiva de imprensa, no Palácio dos Bandeirantes. “É uma explicação científica e fundamentada para mostrar a importância das medidas restritivas que foram adotadas em São Paulo. Peço mais uma vez às pessoas que fiquem em casa e preservem suas vidas. Nós teremos a oportunidade de recuperar a economia do Estado de São Paulo, o mais pujante do país. Mas, neste momento, a nossa prioridade é proteger vidas”, disse Doria. Ficou a cargo do presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, a apresentação dos dados. Segundo ele, antes da quarentena, a velocidade de transmissão de casos era de uma pessoa para seis, o que exigiria acrescer 20 mil leitos à rede pública da capital paulista, dos quais 14 mil hospitalares e 6 mil de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em 20 de março, a taxa era de uma pessoa para três e caiu de uma para duas em 25 de março. A cidade de São Paulo possui cerca de 6 mil leitos hospitalares e outros mil de UTI. Com a redução do contágio, em razão do distanciamento social, o pico de internações na Capital pelo novo coronavírus está projetado para a última semana de abril e, conforme o estudo, a necessidade de acréscimo de leitos à rede será substancialmente menor, sem colapsar o sistema. Ainda segundo projeções dos epidemiologistas do Instituto Butantan, sem as medidas de restrições do Governo de São Paulo, a epidemia de coronavírus no estado duraria 180 dias, contados desde fevereiro – quando o primeiro caso foi registrado -, e terminaria em setembro. Nesse cenário, seriam ao todo 277 mil mortes, 1,3 milhão de hospitalizados e 315 mil casos graves com necessidade de internação em UTI. Já com as medidas adotadas, o número de mortes poderá a chegar a 111 mil, com 670 mil hospitalizações e 147 mil casos graves.