[[legacy_image_132919]] O Governo Estadual assina, na próxima segunda-feira (13), um contrato de R\$ 30 milhões, pelo período de um ano (prorrogável por igual período), com Organização da Sociedade Civil (OSC) Rede Cidadã para que adolescentes infratores internados na Fundação Casa em todo o Estado sejam qualificados e encaminhados ao mercado de trabalho quando deixarem as unidades. Secretário estadual de Justiça e Cidadania e presidente da Fundação Casa, Fernando José da Costa explicou que foi feita uma licitação, com seis interessadas e a Rede Cidadã venceu. Segundo ele, o contrato prevê que todos os 14,6 mil egressos que saem durante um ano sejam beneficiados e façam, no mínimo, três entrevistas de emprego. Metade deles precisam ser empregados por obrigação contratual. Dos que forem, 50% devem ficar seis meses no emprego. “O grande motivo que leva o jovem à prática do ato infracional é a falta de escolaridade, de capacitação, de empregabilidade e de orientação psicossocial e familiar. É obrigação da Fundação Casa realizar a medida socioeducativa. Mas, no momento que ele sai, deve seguir o seu caminho. Cabe às prefeituras realizar o trabalho de orientação e capacitação, o que, na prática, não é muito bem realizado”, diz o secretário. Além do lado humanitário, Costa cita a importância do projeto para a segurança pública. “Se você investe nesse jovem, a probabilidade de ele praticar um novo ato infracional é menor, o que diminui os índices de criminalidade”. A informação foi dada pelo secretário durante visita ao Grupo Tribuna nesta quinta-feira (9), quando ele participou do fórum sobre o universo dos adolescentes que cometem atos infracionais, promovido por A Tribuna. EventoO fórum foi o fechamento do projeto feito por A Tribuna, em outubro do ano passado. Todos os 245 jovens internados nas seis unidades da fundação passaram por uma pesquisa, feita pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT). Nesse levantamento, foram avaliadas situações como grau de escolaridade, conflitos com a família, os motivos pelos quais praticam os delitos e por quais razões reincidem. Reportagens no jornal e em vídeo foram produzidas com os infratores e publicadas. “O trabalho tinha a finalidade de, muito mais do que os atos infracionais, trazer a discussão do que foi a vida deles antes de serem apreendidos. A gente identificou muitas fragilidades na trajetória desses meninos, mas escolhemos dois temas que são fundamentais para começar a pensar na correção dessa rota: a educação e o trabalho”, explica Arminda Augusto, gerente de projetos do Grupo Tribuna. PainéisForam dois painéis. Um deles abordou o trabalho para os adolescentes que deixam a fundação. Dois internos de São Vicente estiveram presentes e falaram sobre as dificuldades de conseguir emprego, a vergonha de fazer cursos e o que os levou a continuar no crime. Outro participante da discussão, o promotor de Justiça da Infância e Juventude de Praia Grande, Carlos Cabral Cabrera, disse que a capacitação do adolescente em situação de vulnerabilidade já existe e é feita por órgãos como Senai e Senac. “Um dos dificultadores dessa capacitação é a falta de conhecimentos básicos de matemática, português. Precisamos encontrar alternativas viáveis”. Completou o painel o vereador santista Carlos Teixeira Filho, o Cacá (PSDB), que já foi secretário de assistência social de Santos. Para ele, muito se fala e pouco se faz na área. “Desde que entrei no Poder Público, em 2005, há uma grande preocupação com nossos adolescentes”. Evasão escolar agrava situação de jovens infratoresA falta de atração pelos estudos e um acompanhamento ineficaz do poder público nos casos de evasão escolar é fator que amplia o número de jovens no mundo do crime. Essa foi a conclusão do painel sobre educação. Fizeram parte desse debate Cristina Barletta, secretária de Educação de Santos; Edmir Nascimento, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Santos (CMDCA); Paula de Carvalho, coordenadora da Diretoria de Ensino de Santos, Christina Harrot, professora do Centro de Internação Provisória de Guarujá; e Fernanda dos Santos, coordenadora pedagógica da Fundação Casa. “O mais importante é um fluxo de ações, os setores que fazem parte de proteção à criança e ao adolescente também agirem nessas questões, que também são sociais. É envolver a família, saber o motivo pelo qual o aluno é infrequente (na escola), entender o contexto familiar. A Educação, sozinha, atinge isso. É preciso essa rede”, opina Cristina Barletta. Para Fernanda dos Santos, entre as principais fragilidades encontradas quando os adolescentes entram na Fundação Casa estão a dificuldade de leitura, raciocínio lógico e problemas com operações simples de matemática. “A gente percebe que todo o conteúdo principal do Ensino Fundamental I tem muitas falhas”. Christina Harrot diz que muitos adolescentes infratores até frequentaram a escola, mas eles não se reconhecem dentro daquele contexto. “Ele vai, mas a mente dele não está lá, o que resulta em toda essa defasagem. Ele precisa ser protagonista e fazer com que entenda isso é todo um processo”. Paula de Carvalho afirma que a busca ativa na rede estadual começa pelo professor. Segundo ela, a tecnologia, com WhatsApp e redes sociais, ajudou muito na localização dos alunos. “Tentamos evitar que o aluno chegue a 15 dias de falta, que caracteriza o abandono. E agora temos mães dentro da escola auxiliando nesse trabalho, porque elas conhecem os bairros e as crianças”.