[[legacy_image_119071]] Infectologistas acreditam que o momento ainda não é adequado para o Governo Estadual suspender as restrições adotadas por quase 600 dias para controlar a transmissão do coronavírus. Para os médicos entrevistados por A Tribuna, a liberação a partir desta segunda-feira (1º), anunciada pelo Estado, aumenta o risco de uma nova explosão de casos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Com o fim das regras, os estabelecimentos podem funcionar com capacidade máxima, sem necessidade de distanciamento e limitação de horário. Isso inclui eventos fechados que geram grandes aglomerações, como shows, baladas e jogos de futebol. As exigências que permanecem é o uso de máscara, disponibilização de álcool em gel e comprovante de vacinação completa para acessar os eventos. O Estado tem média móvel de 970 casos novos e 62 mortes por dia. A taxa de ocupação de leitos de UTI está em 26,8% e, de enfermaria, em 20,4%. São 394 novos internados por dia, em média. Receberam as duas doses da vacina 67,5% da população do Estado. ArriscadoO infectologista Roberto Focaccia ressalta que, diante de uma epidemia totalmente desconhecida, há dúvidas sobre o que pode ocorrer com o fim das restrições. Ele lembra que em países que adotaram a abertura total houve efeito rebote que os obrigou a recuar, antevendo que o mesmo pode ocorrer aqui. “Essa epidemia tem mostrado fortes oscilações e nada impede que tenhamos novas ondas. As vacinas não são esterilizantes para justificar aberturas. Não sabemos quais parâmetros devem ser utilizados para flexibilizar parcial ou totalmente. Certamente não é o número de hospitalizações e mortes, se o de casos se mantém. Este é o risco, porque o vírus circulando livremente vai produzir novas variantes”. Focaccia acredita que o uso de máscaras é fundamental, mas que elas não são usadas adequadamente. O infectologista cita a fraca proteção das de tecido, a utilização de máscaras sujas, no queixo e manipuladas de forma que fiquem totalmente contaminadas. “Há uma luta pela abertura por motivos econômicos, que não podem deixar de ser considerados, mas também há motivações políticas indesculpáveis”. A infectologista Raquel Stucchi também acha prematuro o fim das restrições com o percentual atual de vacinados, especialmente pelo número pequeno de pessoas que receberam a terceira dose. Ela cita países europeus que flexibilizaram com um percentual de pessoas vacinadas parecido com o do estado de São Paulo e vivenciaram um aumento no número de casos e internações. “Essa flexibilização total é precipitada. E se for realmente feita, deveríamos exigir passaporte da vacinação para todos os eventos - locais fechados e abertos - como forma de diminuir o risco. A Europa tem feito isso, você não entra em museus e restaurantes sem o comprovante”. A infectologista Raquel Muarek diz que a situação atual ainda inspira cuidados e é preciso ir mais devagar. “A transmissão ainda é presente. O que se discute no mundo (para o fim de restrições) é que a taxa de transmissão tem que ser sustentada baixa ou em queda, o que não temos”. Opiniões“A circulação mantida do vírus é extremamente preocupante. Flexibilizar em ambientes abertos é razoável, mas em ambientes fechados é uma roleta russa” - Roberto Focaccia, infectologista “Para continuarmos numa curva descendente de casos, acho que é preciso manter o uso de máscaras e insistir em campanhas sobre a importância da vacinação” - Raquel Stucchi, infectologista“A vacinação completa deve estar acima de 86% da população, o que o Estado não tem. E o uso da máscara é necessário. a transmissão não está zerada” - Raquel Muarek, infectologista Prefeituras e estado A Prefeitura de Santos diz que aguarda a publicação de decreto estadual para as adequações. Porém, a resolução com a regra foi publicada em 7 de outubro do Diário Oficial do Estado. Guarujá vai seguir o que o Estado determinar, enquanto Mongaguá e Praia Grande vão estudar o assunto. Peruíbe informa que está prevista nesta semana uma reunião do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) “onde haverá definição desta pauta”. As demais cidades não responderam. Questionado sobre a confirmação do fim das restrições, o Governo do Estado enviou informações publicadas em seu site, em 6 de outubro, que previa 100% da capacidade a partir de hoje e não deu mais detalhes. É possível se vacinar durante o feriadãoTrês cidades da Baixada Santista mantêm esquema de vacinação contra a covid-19 neste feriado prolongado de Finados: Praia Grande, Santos e São Vicente (veja abaixo os locais de imunização). Todos os públicos que têm direito de se vacinar serão contemplados neste período de descanso entendido nos três municípios. Quem pretende tomar agora a primeira, a segunda ou a dose de reforço de imunizante, porém, precisa estar atento à restrição de lugares para se imunizar. Justamente por causa do ponto facultativo de hoje e do feriado de amanhã, há escalonamento de equipes no serviço público municipal. A plena retomada da vacinação ocorrerá na quarta-feira, nos locais de costume. É preciso verificar e levar o cartão de vacinação e atentar às regras informadas pelo município onde for se vacinar. IMUNIZAÇÃO NO FERIADO Praia GrandeSegunda-feira (1º) e terça-feira (2): no Ginásio Rodrigão, localizado na Avenida Presidente Kennedy, 5563, no bairro Tupi, das 9h às 15h.Público-alvo: Primeira dose: a partir de 12 anos.Segunda dose: no caso da Pfizer e da CoronaVac, com intervalo de 21 dias, e da AstraZeneca, com intervalo de oito semanas. Dose de reforço: idosos a partir de 60 anos, imunossuprimidos a partir de 18 anos e trabalhadores da Saúde.SantosSegunda-feira (1º) e terça-feira (2): Policlínica Nova Cintra, das 9h às 15h30 Público-alvo: Primeira dose: a partir de 12 anos.Segunda dose: para quem cumpriu o intervalo da primeira.Dose de reforço: idosos a partir de 60 anos, trabalhadores da saúde e imunossuprimidos a partir dos 18 anos.São VicenteTerça-feira (2): no 3o andar, loja 329, do Brisamar Shopping, das 9h às 18h.Público-alvo:Primeira dose: a partir de 12 anos.Segunda dose: pessoas a partir de 34 anos e demais faixas etárias divulgadas anteriormente.Dose de reforço: profissionais da Saúde e da Educação; pessoas acima de 60 anos que tenham recebido a 2ª dose até 28 de agosto; imunossuprimidos a partir de 18 anos, respeitando o intervalo de 28 dias da 2ª dose ou da dose única.