[[legacy_image_91884]] A pandemia fez crescer o consumo de notícias, especialmente nos veículos tradicionais e já consolidados em suas regiões. Pesquisa feita pelo Google apontou que o consumo de notícias aumentou 36% em relação ao mês anterior à pandemia. Outra pesquisa, desta vez feita pela Kantar, aponta aumento de 17% no consumo de revistas e de 14% no de jornais impressos durante a pandemia. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Os dados já circulam pelos círculos de jornalistas, agências e anunciantes há tempos, mas serviram para ilustrar webinário realizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), na última quarta-feira (11), com palestra do jornalista e consultor Fred Pacheco, especializado na análise de tendências da comunicação e do mercado publicitário. Com o tema A Força e os Diferenciais dos Veículos Regionais, Fred Pacheco reforçou para o público, formado predominantemente por profissionais da área, que a pandemia acelerou um movimento que já vinha ocorrendo no setor: a transformação digital e a necessidade de os grupos de comunicação reforçarem suas marcas no meio digital. Para o consultor, esse movimento é diferente para as praças regionais, onde os veículos de comunicação têm uma ligação muito mais próxima com seu público. Ele citou ranking realizado pela Reuters Institute Digital News, mostrando que, depois das emissoras de televisão, os grupos regionais, juntos, têm mais relevância e audiência dos que os grandes jornais individualmente. Produtor de conteúdo Para Fred Pacheco, o que os veículos impressos tradicionais precisam fazer, nesse movimento de transformação digital, é deixar claro para o público que o prestígio e a confiabilidade conquistados ao longo dos anos também estão presentes nas demais plataformas. “É tudo a mesma marca, só que em locais diferentes. Jornais são produtores de conteúdo, mas não precisam mais estar só no papel. Podem estar em radioweb, podcast, blogs, sites, redes sociais. Importante é que o público confie naquela marca e saiba que ali vai encontrar informação de qualidade acessando essa marca.” E mais: “O impresso tem credibilidade, tem efeito de empurrar a marca de todas as outras plataformas”. Mercado publicitário Outro ponto levantado pelo consultor diz respeito ao mercado publicitário. “Anúncios em veículos nacionais têm sua importância, claro, mas há uma dispersão muito grande. Anunciar em veículos locais é uma conversa com o público que você quer atingir.” Fred Pacheco cita outra pesquisa, também da Kantar, que mostra o índice de confiança dos consumidores de notícias em revistas e jornais impressas: 90% das pessoas confiam nesses veículos. “Esse é um diferencial muito grande para quem anuncia. As marcas que anunciam em veículos respeitados herdam parte da confiança depositada naquele veículo.” Outro diferencial apontado pelo consultor: a diferença entre anunciar em veículos de comunicação e nas plataformas Google, Facebook e Instagram. “Se você quer anunciar que tem delivery, que está com uma promoção ou precisa comunicar algo rápido, Google e Facebook funcionam bem, mas apenas anunciando em veículos consolidados você vai construir sua marca. Isso é muito importante os anunciantes saberem e entenderem esse diferencial. Os veículos precisam falar mais de si, vender seu peixe, seu diferencial, mostrar que informação de qualidade é sua marca.” Fred Pacheco acredita na transferência de prestígio e ma relevância dos veículos impressos para as plataformas digitais que levam a mesma marca. “Isso está acontecendo de forma natural e espontânea no mundo inteiro.” Não compre seguidores Outro alerta do consultor especializado no mercado da comunicação: jamais compre seguidores para suas plataformas. “Não encha sua conta no Instagram com perfis falsos. Quando você publica alguma coisa, o post não vai para todo mundo. Se os seguidores que viram gostaram, curtiram e comentaram, mais pessoas vão ser atingidas. Se você compra seguidor, seus posts não vão repercutir porque são falsos, eles não comentam, não interagem. Isso suja a sua métrica. Esse é um erro muito comum de algumas marcas, que querem ter uma quantidade enorme de seguidores do dia para a noite”, adverte. Ainda sobre o mercado publicitário: “O anúncio em (meio) digital não pode ser brinde. Não é comprar no veículo impresso e ganhar de brinde um anúncio no site. Ambos são a mesma marca, ambos têm o compromisso que essa marca construiu”. O ideal, recomenda, é que uma marca, para se firmar e ganhar visibilidade, anuncie no impresso e no digital, de forma complementar. “Isso dá frequência às marcas em todas as plataformas. Cada plataforma tem uma força diferente. A melhor campanha é a campanha integrada, multiplataforma”, observa.