[[legacy_image_338070]] A governança, um dos preceitos da sigla ESG — em inglês, environmental, social and governance, que significam ambiental, social e governança, em português —, não pode ser vista como um bicho de sete cabeças. Assim diz a presidente da Comissão de Compliance da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, Flávia Lepique. Trata-se da espinha dorsal da empresa, estabelecendo a forma pela qual atinge seus objetivos e toma decisões, constituindo a base de todas as iniciativas, práticas e os projetos de ESG. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “O papel é de garantidor da coesão entre os objetivos e as realizações da empresa. Ela orienta as empresas na busca de práticas transparentes, éticas e sustentáveis que beneficiam não apenas os acionistas, mas também todas as partes interessadas e a sociedade como um todo”, afirma Flávia, fazendo analogias com a administração da casa e a ordenação das atribuições diárias para que tudo funcione. “A governança é única, e não existe um conceito específico para a agenda ESG”, completa a consultora sênior da GO Associados para Antitrust, Compliance e Diversidade, Maria Cecília Andrade. A base da governança está calcada em cinco pilares: integridade, transparência, equidade, responsabilização (accountability) e sustentabilidade. “Ela envolve conceitos como liderança, divulgação de dados financeiros, respeito aos acionistas e diversos stakeholders (grupos de interesse) que atuam no seu entorno. Todos esses conceitos são fundamentais para que a governança seja efetivamente colocada em prática e não fique apenas como regras no papel que não são observadas”, diz Maria Cecília. Resultados Os benefícios são vastos, tendo a perenidade da empresa como um dos principais, lembra Flávia Lepique. Outros são a visão estratégica isenta e objetiva, a redução de custos, a valorização da imagem institucional e a resiliência na gestão de crises, o aumento da competitividade, mais atração de capital, com melhoria e maior investimento na responsabilidade social e ambiental. “Além disso, empresas preocupadas com uma boa governança tendem a ter melhor política de pessoas, como nos temas de diversidade e inclusão, assim como na atração e retenção de talentos”, menciona a consultora sênior da GO Associados. Compromisso com princípios A adoção da governança corporativa, na prática, requer um compromisso contínuo com princípios e atividades que promovam a transparência, a responsabilidade e o desempenho ético. Cinco ações são indispensáveis para a sua implementação, lembra Flávia Lepique: mapeamento da atual situação, definição de metas, desenvolvimento das normas e diretrizes, definição do conselho administrativo e avaliação contínua. O mapeamento é saber como a empresa se encontra atualmente, respondendo a duas questões. “Ou seja, quais a estrutura e cultura organizacional? Como são os processos realizados no dia a dia e quem ocupa cargos e funções chave?”, afirma a presidente da Comissão de Compliance da OAB em São Paulo. O estabelecimento de metas é definir quais devem ser realizadas para que a empresa passe a agir dentro dos princípios da governança corporativa. O desenvolvimento das normas e diretrizes vem na sequência. “Uma vez que as metas estejam estabelecidas, é o momento para criação de diretrizes de governança (políticas, comunicação, gestão e controle de riscos), as quais serão introduzidas na empresa para que os resultados estipulados sejam alcançados.” Mais elementos O conselho administrativo deve ser composto por integrantes interessados, experientes e qualificados para o cargo, observa Flávia. “O processo para a nomeação destas pessoas deve ser feito de forma transparente, com a finalidade de garantir igualdade de oportunidades”, explica. Por fim, é necessária avaliação contínua dos processos de governança, por não serem algo estático. “Ele deve ser construído e cuidado dia após dia. Devem ser criados mecanismos para garantir que todas as medidas e diretrizes escolhidas serão realmente colocadas em ação, por meio de monitoramento e uso de práticas como auditorias internas e externas, avaliações periódicas do conselho e a revisão dos regulamentos já estabelecidos”, detalha. [[legacy_image_338071]]