[[legacy_image_341378]] O social, um dos preceitos da sigla ESG — em inglês, environmental, social and governance, que significam ambiental, social e governança, em português —, é o mais abrangente dos três pilares e, por essa razão, é o mais desafiador para ser implementado nas empresas. É o que afirma o presidente da Fundação Iochpe, Cláudio Anjos. Trata-se de uma organização que desenvolve programas com foco no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes por meio da arte-educação e do ensino profissionalizante. No caso do social, destacam-se os conceitos de igualdade de gênero, diversidade e inclusão, direitos humanos, condições de trabalho, saúde e segurança dos funcionários, bem-estar da comunidade e responsabilidade social corporativa em geral. “Boas práticas sociais têm impactos positivos nas outras duas grandes áreas do ESG, melhorando questões ambientais e de governança das empresas”, argumenta o economista e sócio da GO Associados, Gesner Oliveira. Para que o S seja adotado com sucesso, é fundamental que o nível de engajamento dos colaboradores seja bem elevado, lembra o presidente da Fundação Iochpe. “Uma empresa que se compromete a dirimir as mazelas sociais passa por uma enorme transformação: os colaboradores vivenciam os benefícios e vantagens do trabalho voluntário, e a empresa se transforma em uma mola propulsora de transformação social. Deixa de ser apenas um mero agente econômico para se tornar uma empresa com propósito, atuando diretamente na vida de milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade social”, explica. Para se ter uma ideia, uma pesquisa mundial realizada em 2023 com as gerações Millenials e Z mostrou um recorte dos jovens brasileiros. À pergunta sobre quais fatores fariam com que ficassem em um emprego, 75% afirmaram que seria em uma empresa com propósito. “Portanto, para o negócio sobreviver, é importante abraçar essa causa. Caso contrário, a companhia não terá sustentabilidade, além de não ter força de atração e retenção de novos talentos”, completa Anjos. VantagensOs benefícios são percebidos sob vários aspectos, lembra Gesner Oliveira. Dentro da empresa, adotar uma abordagem mais humana para as questões sociais não só melhora o ambiente de trabalho e promove a satisfação dos funcionários, mas também fortalece a reputação da empresa, atrai talentos diversos e promove a inovação. “Funcionários mais engajados e motivados tendem a ser mais produtivos e leais, contribuindo para o crescimento sustentável da empresa”, completa. Fora da companhia, segundo o economista e sócio da GO Associados, há impacto positivo nas comunidades em que a empresa atua. “Com iniciativas de responsabilidade social corporativa, como programas de voluntariado, doações para causas locais e parcerias com organizações sem fins lucrativos, as empresas podem melhorar a qualidade de vida das pessoas e ajudar a resolver problemas sociais”, detalha. Impacto positivo se estende à sociedadeO poder do exemplo é fundamental para a efetiva adoção do aspecto social do ESG, afirma o economista e sócio da GO Associados, Gesner Oliveira. “Todos ganham quando uma empresa demonstra um compromisso genuíno com as questões sociais e adota práticas éticas e responsáveis. Uma companhia comprometida com a diversidade e a inclusão está mais pronta para atender a um público diverso e mais atenta às mudanças no padrão de comportamento e consumo”, diz. Engenheiro e professor universitário, Ivan Lima, que também é presidente do Lide Equidade Racial, lista alguns pontos que destacam o impacto do exemplo: inspirar imitação, construir credibilidade, liderança no setor, criação de expectativas no mercado, influência nas partes interessadas, desenvolvimento de uma cultura setorial sustentável, ampliação do impacto social e estímulo à competição positiva. “À medida que mais empresas adotam e compartilham esses valores, o impacto positivo se expande, contribuindo para uma transformação sustentável na sociedade”, analisa Lima. “Ao melhorar a sociedade como um todo, elas também são afetadas positivamente, pois a cadeia produtiva é parte integrante desta mesma sociedade. É um ganha-ganha. Não é à toa que hoje em dia se fala muito sobre ESG nas empresas, pois este poder está cada vez mais evidente”, completa o presidente da Fundação Iochpe, Cláudio Anjos.