[[legacy_image_50106]] São Sebastião, 16 de junho de 1956. O advogado e professor da Faculdade Católica de Direito de Santos João de Freitas Guimarães fora, a serviço da sua profissão, para a cidade do Litoral Norte a fim de checar uns processos no Fórum, porém o encontrou fechado. Assim, decidiu hospedar-se num hotel, para no dia seguinte resolver suas demandas. Após o jantar, ele foi caminhar nas areias da praia. Eram pouco mais de 19 horas quando ele viu elevar-se um enorme jato d’água no mar. De início, pensou se tratar de uma baleia, mas, para sua surpresa, era algo ainda maior, uma espécie de aparelho bojudo que nunca vira antes. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Assustado, o santista não teve coragem de correr e acabou testemunhando a aterrissagem do estranho aparelho. Logo depois, dois homens, saídos da nave, foram ao seu encontro. Os estranhos eram altos, claros, louros e tinham olhos serenos. Usavam uma espécie de macacão verde, que se estreitava ao nível do pescoço, dos punhos e dos tornozelos. Guimarães tentou contato, mas sem sucesso, ainda que falando em francês, inglês ou italiano, línguas que dominava. O silêncio imperava, até que um deles pareceu convidar-lhe a entrar no aparelho luminoso. Guimarães disse mais tarde que sentia o contato “telepático”. No disco voador. Os seres humanoides o conduziram para o centro da nave. Ele fora convidado, telepaticamente, a sentar-se numa espécie de banco. Foi quando a máquina decolou. O advogado santista sentiu um leve enjoo e percebeu, pelas janelas do aparelho voador, que já estava muito alto em relação à terra firme. Em alguns minutos, Guimarães tinha aprendido o modo de contato, uma vez que passou a compreender os quesitos técnicos da nave, como a função do dispositivo para filtragem de raios. Através das vigias, ele viu que atravessavam uma zona intensamente escura, onde os astros brilhavam de maneira extraordinária. Sucediam regiões enxameadas de estrelas, que cintilavam com incomparável fulgor. Seguiam-se novas zonas escuras. Ultrapassaram depois uma camada violeta fulgurante e, nessa ocasião, sentiu que o aparelho sacudia fortemente. Como demonstrava receio, disseram-lhe que a nave acabara de deixar a atmosfera da Terra. Durante a viagem, o advogado perguntou várias vezes de onde eles eram originários, mas não obteve resposta. Não se sabe por que razão não desejavam identificar-se. Reparou Guimarães que, no compartimento onde se encontrava, havia um painel de forma circular, no qual oscilavam três agulhas, muito sensíveis. Viu que, ao deixarem a atmosfera da Terra, os referidos ponteiros passaram a vibrar intensamente. Segundo foi-lhe explicado por um dos tripulantes, o aparelho era conduzido no sentido da resultante composição das forças magnéticas naquele lugar. Ao regressarem, o santista notou que seu relógio estava parado, mas calculou de 30 ou 40 minutos o tempo em que esteve em voo. Novo encontro. Ainda dentro da astronave, ele e os estranhos combinaram novo encontro para 12 de agosto do ano seguinte, no mesmo local e hora. Ocorre que Guimarães não foi, uma vez que o caso vazou e acabou sendo muito divulgado. Curiosos chegaram a organizar caravanas para assistir o fato, provocando grande tumulto. Em entrevista a pesquisadores da Sociedade Brasileira de Estudos de Disco Voadores (SBEDV), o advogado santista dissera que alguns dias antes da data convencionada para o encontro, o coronel aviador Márcio Cesar Leal Coqueiro o recomendou a não ir ao evento, dizendo-lhe que “terei lá em São Sebastião dois esquadrões de caças a jato para receber o disco voador”. Ainda nessa entrevista, Guimarães acrescentou que soubera, por pessoas que deram testemunho público na TV Tupi de São Paulo, que, na data marcada, de fato o disco voador aparecera, por detrás da Ilhabela, passando por São Sebastião e rumando na direção da Praia de Barequeçaba. Ataques à imagem do santista. Guimarães só havia conversado sobre sua aventura com um número restrito de pessoas durante um jantar na Associação dos Advogados de Santos. Ele evitava falar sobre o assunto, pois sabia dos riscos de ser encarado como um maluco, um golpista, alguém com interesse de propaganda livresca ou mesmo fins políticos. O advogado e professor só queria preservar a imagem de respeito que ganhara na cidade santista, por sua intelectualidade e seriedade. Depois de vazado, o caso chamou a atenção da Aeronáutica, a ponto de ela convocá-lo a depor. Guimarães foi ouvido por um militar de alta patente de um órgão das Forças Armadas que possuía departamento para tratar de casos como aquele. Tomou conhecimento, meses após o fato, que nos arquivos da Força Aérea Brasileira havia dados e até fotografias que comprovariam a sua experiência, mas que não eram divulgados. Ufologia A história do santista João de Freitas Guimarães está relatada e arquivada no acervo sobre óvnis do Arquivo Nacional, órgão vinculado ao Ministério da Justiça, com sede no Rio de Janeiro. Esse conjunto de dados é um dos mais acessados do Sistema de Informações do Arquivo Nacional (Sian), onde é possível consultar fotos, áudios e vários tipos de documentos sobre estes tipos de fenômeno. Depois de um tempo mantendo as informações dentro de um círculo restrito de amigos, o advogado acabou decidindo participar de muitas entrevistas em TV e rádios, sempre abordando o assunto, que virou um dos maiores casos de contatos extraterrestres já relatados no País (e até hoje é um dos mais comentados sobre o tema). *Sergio Willians é Jornalista e pesquisador da História de Santos. Conheça mais sobre ele em seu site