[[legacy_image_204046]] Quase 60 milhões de brasileiros já foram recenseados desde o começo do Censo 2022, há um mês, segundo levantamento divulgado na terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A meta é finalizar o trabalho em todo o País no início de novembro, de acordo com o órgão, mas uma greve convocada pela União dos Recenseadores do Brasil pode atrasar os planos, caso o movimento ganhe corpo. Na Baixada Santista, o risco de paralisação é pequeno, segundo coordenadores de área contatados por A Tribuna. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em nota, nesta quarta (31), o instituto declarou que a informação “não procede” e “todos” os postos de coleta de informações do Estado funcionam normalmente. Na semana passada, o IBGE anunciou a abertura de um novo processo seletivo para a contratação de 6.514 recenseadores e 251 agentes censitários municipais e supervisores. A demanda visa a suprir os cerca de 6.500 recenseadores que desistiram do trabalho. As reclamações dos trabalhadores vão de atraso no pagamento e falta de condições no serviço à dificuldade que muitos têm no contato com a população. Em casos extremos, há relatos de ameaças e agressões. Coordenador de área em Santos, Bertioga e Guarujá, Bruno Stoco de Oliveira confirmou que, apesar de o trabalho nas três cidades necessitar de um contingente de 750 recenseadores, ele conta com cerca de 600. “Chamamos 130 pessoas na semana passada, mas só entre 50 a 60 pessoas aceitaram ir para o treinamento.” Oliveira não recebeu reclamações de recenseadores agredidos ou ameaçados na região. Os problemas são a rejeição e a desconfiança da população. “Algumas pessoas temem que seja golpe, mesmo que os recenseadores estejam uniformizados, com crachá. Depois da pandemia, as pessoas ficaram mais isoladas, e isso acaba minando a confiança. Muitos acham que trabalhamos para o Governo ou que somos contra o Governo. O IBGE é do Estado (brasileiro), não é do Governo”, salienta. Apreensão O coordenador comentou que o atraso do pagamento na ajuda de custo no treinamento deixou recenseadores apreensivos, mas a situação estaria normalizada. Por isso, não acredita que haverá adesão à greve na região. “Talvez em algumas cidades perto da Capital (a paralisação) aconteça, mas aqui, aparentemente, está tranquilo. O recenseador ganha por produção e, como não é fixo, fica sem a certeza de quanto vai ganhar. Esse é um dos principais motivos da greve.” [[legacy_image_204047]] Dificuldade Heber Henrique Camargo, que coordena o trabalho do Censo em Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Itariri, Pedro de Toledo e Miracatu, não conseguiu preencher as 300 vagas disponíveis para as seis cidades. “O Censo foi adiado por dois anos seguidos, e os processos seletivos, cancelados duas vezes. Então, as pessoas ficam mais arredias para ingressar no processo, que tem poucas inscrições.” Ele diz que há muitos relatos sobre recenseadores pelo País, como o atropelamento de uma trabalhadora no interior de Minas Gerais e a história de outro que salvou uma criança engasgada, no Piauí, durante o trabalho. Em sua área, nenhum relato de violência contra os recenseadores, segundo Camargo, que também não acredita em greve. A situação é a mesma em São Vicente, Cubatão e Praia Grande, de acordo com o coordenador Vitor Hugo de Oliveira Farias, que tem um déficit de 80 a 90 recenseadores, numa equipe que teria de contar com 700. “Toda semana a gente tem um rodízio muito grande, porque tem gente que sai, acaba desanimando durante a coleta de dados. Fazemos a convocação (de novos recenseadores), mas nem todo mundo responde ou comparece.” Apesar das dificuldades no contato com a população, que nem sempre recebe bem o recenseador, o movimento grevista não deve ter eco nas cidades que ele coordena, conforme Farias. IBGEO IBGE considerou normal a desistência de milhares de recenseadores. “A rotatividade em uma operação dessa magnitude é normal, sendo que a maioria dos casos de desistência ocorre na fase de treinamento”, quando “podemos administrar convocando outras pessoas da lista e não causando impacto direto nas entrevistas nos domicílios”. Fique ligado Para confirmar se uma pessoa é ou não entrevistadora do IBGE, entre no site e digite apenas os números da matrícula, do CPF ou do RG do recenseador. Os dados estão nos crachás dos recenseadores. Para verificar se um número de telefone pertence ao IBGE, ligue para 0800-7218181.