[[legacy_image_209338]] A Tribuna dá sequência nesta sexta (23)à série de entrevistas com os três candidatos ao Governo do Estado mais bem votados na pesquisa Ipec divulgada terça-feira (20). Em pauta, as propostas de cada um para os principais problemas da Baixada, como a falta de uma interligação no transporte da região metropolitana e o déficit habitacional. O entrevistado desta sexta é o atual governador de São Paulo e candidato à reeleição, Rodrigo Garcia (PSDB), que ocupa o cargo desde 1º de abril, após a saída de João Doria. Na edição de quinta (22), a entrevista foi com Fernando Haddad, do PT, e neste sábado (24), encerrando o ciclo, será a vez do candidato Tarcísio de Freitas (Republicanos). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Um problema sério na Baixada Santista é o déficit habitacional, que só não é maior do que na Região Metropolitana de São Paulo. Caso eleito, como o senhor pretende equacionar esse problema? O desafio do déficit na Baixada sempre foi grande, até por dificuldade de áreas para construir habitação de interesse social. Quando era secretário de Habitação, nós fizemos muitos projetos em parceria com a Prefeitura de Santos, com Guarujá. Inclusive, um dos maiores projetos de habitação de interesse social estão sendo entregues em 2022, que é o Tancredo Neves. Nós temos uma decisão já tomada pelo Governo, que é aportar todo o recurso de pagamento da outorga da EcoRodovias em eliminação de palafitas. A gente tem aqui em Santos, iniciando em Guarujá, temos em Praia Grande, em Cubatão, em São Vicente, o início do uso desse recurso de R\$ 600 milhões pra diminuir esse déficit. Além de construir novas moradias, e o meu compromisso na Baixada e no Estado é manter o investimento de ICMS em habitação, fazer com que a gente consiga reformar habitações inadequadas, que é identificar uma habitação, gastar R\$ 15 mil, R\$ 20 mil e deixar ela digna. Vamos fazer muitas unidades do Viver Melhor: cinco vezes mais do que foi feito nesse ano. Na região, milhares de moradores se deslocam todos os dias de uma cidade a outra, mas o transporte intermunicipal não está integrado com os serviços municipais. O que será feito para tornar as viagens mais rápidas sem onerar os passageiros?Meu compromisso é entregar já no ano que vem o VLT até o Valongo. Eu já autorizei, nós vamos começar as obras em 2023, da extensão até o Samaritá, em São Vicente. E já vou autorizar um estudo para um ramal do VLT para Praia Grande. Com isso, a gente vai pegar toda essa área das três principais cidades, ao lado do Guarujá, para que tenha o VLT integrando Praia Grande, São Vicente e Santos. Além disso, nós vamos olhar, do ponto de vista metropolitano, as linhas que a EMTU administra para avaliar o tipo de integração possível. Uma questão histórica na região é a ligação viária entre as duas margens do Porto. Como o Estado vai dialogar com o Governo Federal para resolver a questão e qual é o modelo mais viável a ser aplicado, em sua opinião?A ponte tem uma característica mais de logística, de integração de cargas. O túnel tem uma característica mais rodoviária, seja pra quem trabalha, seja pro turista. A solução que for mais rápida e viável tem que ser estabelecida. O Governo viabilizou com a EcoRodovias a construção da ponte, nós ficamos com uma resposta inconclusiva do Porto, não autorizando a construção da ponte, senão ela já teria saído do papel. Isso é o resumo desses últimos quatro anos e agora nós temos que olhar para os próximos e buscar uma conciliação com a Autoridade Portuária, pra tirar do papel o túnel, que é um projeto antigo, feito e bancado pelo Governo de São Paulo. Um problema nacional é o atraso na escolaridade pela pandemia. O que o senhor pretende fazer para recuperar as perdas, reduzir a evasão escolar e, no caso do Ensino Médio, preparar o estudante para que ele possa tentar a faculdade?Primeiro, a expansão e a conclusão de escola de tempo integral para o Ensino Fundamental II. Nós temos mais de 1,6 milhão de alunos no Fundamental II do Estado e vamos colocar todos estudando em tempo integral até 2026. No Ensino Médio, o meu compromisso é fazer o Mediotec, que é o Ensino Médio integrado com o Ensino Técnico. Vou levar o padrão das Etecs para dentro do Ensino Médio. Temos 1,25 milhão de alunos no Ensino Médio, nas Etec temos 225 mil. Como é que eu vou fazer isso em quatro anos? Primeiro, eu vou usar uma nova fórmula. O novo itinerário e o kit itinerário formativo permitem que eu contrate a iniciativa privada para me ajudar. Eu vou contratar rede particular, ao lado do Senai, para que a gente oferte no mínimo 700 mil vagas do Mediotec até 2026. Os jovens vão sair do Ensino Médio com um pé no emprego. Em cada região, são cursos diferentes, de acordo com a vocação econômica. Ontem (quarta), o Haddad veio aqui prometendo zerar imposto de cesta básica. Isso custa quase R\$ 7 bilhões por ano. Diferente deles, eu sou governador e sei do que estou falando. Eu vou zerar o imposto para o pobre. O pobre em São Paulo não vai pagar ICMS a partir de 1º de janeiro de 2023, eu já aprovei essa lei. São quase cinco milhões de pessoas que vão ter 100% do imposto estadual devolvido pela Nota Fiscal Paulista. A mortalidade infantil na Baixada Santista apresenta um dos piores índices do Estado. O que pode ser feito?Nós vamos continuar reforçando o investimento do Estado na Saúde. Hoje, nós temos não só o Guilherme Álvaro, mas o (Hospital dos) Estivadores, que tem um dinheiro importante do Estado lá dentro e vai continuar. Temos na Praia Grande o repasse ao Hospital Municipal. Temos os nossos quatro AMEs e agora eu estou ajudando duas prefeituras a fazer hospitais municipais: Bertioga e Peruíbe. Acabei de liberar um recurso importante para São Vicente eliminar o Crei e fazer um novo pronto-socorro. Estou fazendo um AME novo em Cubatão, no quarteirão da Saúde. Tudo isso porque a Saúde precisa ser olhada em rede, você tem alta complexidade, a média e a baixa. Vou estender o horário de atendimento dos AMEs, estamos num momento de mutirão por conta das filas que acumularam na pandemia. Até o final do ano, ela não existirá mais, pois vou fazer mais procedimentos dentro dos mesmos equipamentos. A região começa a sofrer com problemas de desabastecimento de água em cidades que têm fontes de captação. O que o seu Governo pode fazer para resolver essa questão?De Guarujá, eu cito a Cava da Pedreira, que será fundamental para a Cidade não ter mais problema. Estamos num processo de licença ambiental, já em contratação. Outra questão é a geração de empregos, que está, normalmente, atrelada ao Governo Federal. No Estado, quais são as propostas para a criação de vagas?Primeiro, formação de mão de obra. Nós vamos qualificar a molecada no Mediotec a partir da abertura da Fábrica de Cultura 4.0, que chegou em Santos, no prédio da antiga cadeia. A Fábrica de Cultura não só qualifica para as culturas tradicionais, nós temos cursos de robótica, da indústria de games, de programação, do audiovisual. Eu quero que as Fábricas de Cultura se transformem em grandes polos de formação. Porque hoje São Paulo tem que ser uma plataforma de prestação de serviços sofisticados para o mundo. Um estudo da Fundação Getulio Vargas aponta que, durante a pandemia, de cada R\$ 1,00 aplicado de fomento à Cultura, foram devolvidos à economia R\$ 1,67 no Estado. O que o senhor pretende aprimorar ou criar na área cultural?Trazendo a Fábrica de Cultura para o Litoral, como estamos fazendo em Santos. O Governo de São Paulo precisa também olhar os empregos na indústria de alta tecnologia, que geram investimentos em inovação. As pesquisas apontam disputa acirrada entre o senhor e o candidato Tarcísio de Freitas para ir ao segundo turno. Se o senhor for ao segundo turno, como vai costurar uma aliança com o candidato derrotado para tentar vencer a eleição?Primeiro turno a gente faz escolha, segundo turno é quem eu não quero. Eu tenho a menor rejeição dos três candidatos que estão disputando e acredito muito que a minha ida para o segundo turno é a segurança da vitória de São Paulo. Eu estou aqui para proteger as conquistas que São Paulo tem até agora, com muitas políticas públicas, mas ao mesmo tempo estou aqui para olhar para o futuro.