[[legacy_image_214144]] O oceano brasileiro corre risco de receber um terço do plástico consumido no País. É o que aponta estudo inédito do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) Brasil, encomendado pelo Blue Keepers, um programa destinado a combater a poluição decorrente da presença do plástico em rios e oceanos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O levantamento foi apresentado nesta terça (11), no terceiro dia do evento Diálogos da Cultura Oceânica, promovido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pela Prefeitura de Santos e pela Organização das Nações Unidas para para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), Alexsander Turra, expôs o levantamento pela manhã, na Bolsa Oficial de Café, no Centro. O encontro reuniu acadêmicos, cientistas e conhecedores do meio marinho, que discutiram possíveis soluções para o problema do plástico nos oceanos. A pesquisa aponta que cada brasileiro pode ser responsável por poluir os mares com 16 quilos de plásticos por ano. São 3,44 milhões de toneladas desse material que podem se espalhar na natureza. Significa que 33% do plástico consumido não encontra destinação final adequada, como um aterro coberto ou uma usina de reciclagem, e pode poluir ambientes terrestre e, possivelmente, marinho. Calcula-se que 150 milhões de toneladas de plástico circulem no mar. “Na região da Baixada Santista, as características estão relacionadas aos aglomerados subnormais, pessoas morando em áreas de palafitas ou encostas, que não têm oferta de coleta e destinação correta de resíduos e, também, à população flutuante, que acaba pressionando os serviços de coleta existentes e destinação final de resíduos. Com isso, temos possibilidade de escape muito maior”, diz Turra. Por isso, a Baixada foi escolhida como uma das dez regiões brasileiras para o projeto iniciar ações locais, com trabalho em Santos e Praia Grande. A ideia é identificar a origem dos resíduos e propor prevenção. Santos está na lista das dez cidades que melhor enfrentam questões relacionadas ao lixo, de acordo com o secretário de Meio Ambiente Marcos Libório. Esse ranking tem por base o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (Islu), resultante de uma cooperação técnica entre a multinacional de consultoria e auditoria PricewaterhouseCoopers (PwC) e Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb). A posição de Santos no Islu a torna apta a receber investimentos em logística reversa e firmar acordos com setores produtivos. “Com a metodologia desenvolvida em Santos há cinco anos, começamos esse diagnóstico da origem dos resíduos que chegam à praia, e esse método, que é um diferencial”. Compromisso Também nesta terça, na Bolsa de Café, secretários de Meio Ambiente das nove cidades da região assinaram um compromisso para integrar ações de combate à poluição marinha e se comprometeram, por exemplo, a onstruir uma base de dados integrada sobre lixo no mar da região. Outros itens desse termo são construir uma rede de monitoramento do lixo no mar, um plano regional de combate de resíduos, ações estratégicas contra a poluição e incentivar o diálogo entre universidades, para mais interação entre conhecimento e gestão pública. “O lixo no mar, em especial o lixo plástico, é um problema bem grande na Baixada, de difícil resolução, porque há diferentes entradas desse lixo no meio ambiente. A melhor forma de lidar com esse problema é de maneira integrada”, afirma a professora do Instituto do Mar da Unifesp, Leandra Gonçalves. Segunda fase Em Santos, neste mês, entra em ação a segunda fase o Programa Beco Limpo. Alunos de três escolas (uma municipal, uma estadual e uma particular) se tornarão pesquisadores da metodologia desenvolvida na Cidade para descobrir a origem do lixo que chega ao mar. O Beco Limpo é um projeto construído em conjunto com moradores. Iniciado oficialmente em janeiro deste ano, pressupõe a formação de agentes comunitários de resíduos. Esses jovens moradores dessas áreas são capacitados e atuam como multiplicadores de informações, evidenciando, na comunidade em que vivem, a necessidade de uma nova relação com os resíduos domésticos. Atualmente, esse método é adotado em 20 cidades brasileiras e três países do Caribe.