[[legacy_image_203748]] De cada quatro eleitores da Baixada Santista, um deixou de ir às urnas no pleito de 2018. Naquele ano, 23,85% dos cidadãos da região não quiseram votar. Esse índice foi, inclusive, superior ao verificado no País (20,3%), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! À época, a polarização da disputa entre dois candidatos à Presidência da República que não agradavam parte dos brasileiros e a descrença na política como um caminho para resolver os grandes desafios da nação foram alguns dos fatores que ajudaram a explicar esse percentual. Cientistas políticos consultados pela Reportagem têm visões divergentes a respeito de uma maior participação dos cidadãos no exercício efetivo da democracia no pleito de 2 de outubro. O professor da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Rafael Moreira Dardaque Mucinhato, acredita que o envolvimento da população terá um crescimento, porque muitos jovens de 16 e 17 anos decidiram tirar o título de eleitor. Em julho deste ano, A Tribuna trouxe uma reportagem apontando o crescimento de 163% no número de pessoas aptas a votar nessa faixa etária, em comparação a 2018 – passando de 5.744 para 15.206. “Vejo que essa maior participação dos jovens vai se refletir no eleitorado como um todo. Estamos no que chamamos de uma ‘eleição crítica’, ou seja, os caminhos que a sociedade podem seguir são bem diferentes. Isso deve ampliar o comparecimento dos cidadãos às urnas”, destacou o docente, que é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Piora Por outro lado, a coordenadora do curso de Ciências Sociais da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Syntia Pereira Alves, tem uma visão mais pessimista. Ela entende que o alto índice de abstenções pode se manter ou até piorar neste ano. “Os brasileiros, em geral, estão apresentando um desinteresse crescente na política. Uma parte considerável da população não consegue encontrar um representante na ainda presente polarização política que o cenário eleitoral apresenta”, justificou. Na avaliação da professora, as pesquisas de intenção de voto têm apresentado um cenário com poucas chances de alteração, em especial para o cargo de presidente. Ela crê que essa situação faz com que muitos pensem que o próprio sufrágio não fará a diferença. Voto facultativoOs jovens de 16 e 17 anos e aqueles com mais de 70 anos não são obrigados a votar. Conforme os entrevistados, esse público poderá ter uma participação importante no resultado do pleito. Afinal, os políticos precisam pensar em criar leis e desenvolver políticas públicas sociais para esses segmentos. Syntia lembrou que a população idosa no Brasil tem aumentado significativamente nos últimos anos. “Já podemos considerar a importância desses eleitores do ponto de vista numérico. Mas, além disso, é importante que essas pessoas, que continuam atuantes na sociedade em vários aspectos escolham seus representantes”, reiterou. “O Brasil está atravessando um processo de transição demográfica. Há um envelhecimento gradual da população. É preciso pensar em políticas públicas para os idosos. O mesmo acontece para a juventude, que está sendo bastante impactada pelo desemprego”, acrescentou Mucinhato. Extremos do eleitoradoO elevado número de abstenções no pleito deste ano pode comprometer a estratégia de alguns candidatos da Baixada Santista que apostam no eleitorado local para conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal. Por outro lado, a maior participação dos jovens de 16 e 17 anos e dos idosos acima de 70 anos, que não são obrigados a ir às urnas, tem condição de fazer a diferença para os que estão disputando cargos públicos. A coordenadora do curso de Ciências Sociais da Unimes, Syntia Pereira Alves, afirmou ter observado nas propagandas eleitorais que há candidatos a deputado estadual se colocando como representantes da região. “Realmente, deve ser o pensamento do eleitor: escolher um candidato que represente o seu local. Dessa forma, a participação nas eleições da população cujo voto é facultativo pode fazer a diferença na escolha de representantes com atuação local”, justificou. Perfis diferentesPara o professor da Unisanta e doutor em Ciência Política pela USP, Rafael Moreira Dardaque Mucinhato, são perfis de voto muito diferente entre esses dois públicos. Para exemplificar, o docente cita as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. Elas apontam que os idosos têm uma avaliação melhor do Governo Bolsonaro, enquanto a maioria dos jovens reprova a atual gestão. “Essas pessoas mais velhas vão procurar candidaturas ao Legislativo que estejam alinhadas com esse ponto de vista mais conservador. Isso talvez se reflita um pouco aqui na região. Já os concorrentes com uma visão mais progressista focarão as suas campanhas na população mais jovem, na porta de universidades e das escolas”, explicou.