[[legacy_image_297586]] Carol Porto é educadora, atriz, escritora, compositora, formada em artes cênicas e pós-graduada em interpretação para teatro musical. Especializada em educação infantil, ela criou a Turma do Longinho, que trouxe um jeito divertido para ensinar as crianças sobre como lidar com o distanciamento durante o avanço do coronavírus e sobre como lidar com as diferenças. Como surgiu a Turma do Longinho?Primeiramente surgiu o Longinho. Ele é o líder da turma, tem os braços bem longos e gosta de abraçar os amigos. Porém, quando chegou um bichinho no nosso país, a mãe do Longinho falou: “você não vai mais poder abraçar agora”. E sem saber o que fazer com o braço, ele decidiu ajudar a falar sobre o distanciamento. Só que essa palavra na Educação Infantil, para as crianças, não tem muito significado. Então, eu pensei em criar um personagem colorido, com cabelos diferentes, para trazer toda a história, a brincadeira, a música de forma segura. Então, quando o Longinho falou que a distância do novo abraço correspondia aos dois braços esticados, o que as crianças faziam? Abriam os dois braços. E assim elas ficavam no distanciamento sem a gente ter que ficar falando. E as músicas que eu fiz falavam sobre brincadeiras com o braço assim e sem perceber elas estavam no distanciamento brincando. Isso foi o início de tudo. Com o lance de lavar as mãos toda hora, eu fiz a Família Dedos e fiz uma música com todo o processo. Tudo era muito lúdico e divertido para o que era chato e obrigatório ficar mais leve. Logo depois, veio a Leca, A Princesa Careca, que fala sobre a beleza, mesmo não tendo o cabelo. Ela é uma personagem que tem um câncer ou doença autoimune. É para acolher uma criança ou mulher careca que por conta da sociedade não se sinta bonita. Temos a Aiko, ela é imigrante, se veste como mangá, gosta de animes. Para ela, é muito difícil entender tudo aqui e ela sofre um pouco de bullying. Com ela, eu consegui trabalhar as diferenças entre as crianças Como ela, temos muitos outros personagens, com deficiência auditiva, deficiência visual, síndrome de Down, entre outros que trabalhamos isso. Carol, você criou esse método, o TDL, que é a Turma do Longinho. Como é misturar a educação criativa com inclusão social? Quais efeitos você já viu nesse modo de ensinar? É incrível. É como uma psicologia reversa. As crianças se veem no personagem. A criatividade e o lúdico fazem a criança ficar à vontade e quando isso acontece, ela compartilha coisas. É uma ferramenta que ajuda o professor para sentir o aluno e acho superimportante que ele use todas as artes ao seu favor. A pedagogia é primordial, mas a arte está aqui para ajudar. Cada criança aprende de um jeito e tem jeito de aprender brincando também. Existe a brincadeira do brincar livre e a brincadeira do brincar dirigido, que é o que eu faço. Você também cria músicas. Como foi esse processo de criação? Para cada personagem você cria uma música especial?Isso, cada personagem conta a sua história cantando. As músicas são todas de rima e é importante para crianças trabalhar dessa forma. Todas elas também trazem uma reflexão. Você também tem um projeto de lançar uma história em quadrinhos? Sim. Esse é um gênero que eu acho legal para incentivar a leitura, pois hoje em dia está tudo muto tecnológico. Eu acho legal essa coisa do papel, deles levarem pra casa, de ler junto com a família. Resgatar isso com a inclusão, é demais. A criança que é visual, vai na imagem, a do texto, vai nos balõezinhos, no final tem joguinhos. Então é superbacana. Falando sobre síndrome de Down e alopecia, você recebe frequentemente muito relatos de mães sobre os trabalhos que você faz nas escolas a respeito disso. Recentemente isso aconteceu. Conta pra gente o que significou.A menina que tinha alopecia tinha muita dificuldade de raspar a cabeça. Ela contava com tufos de cabelo e como tinha só 8 anos, já é uma idade em que as coleguinhas dão risada. Quando ela recebeu a boneca, mandei uma carta falando que para ser princesa não era tão fácil, tinha que ser corajosa. Com isso, ela se empoderou, raspou a cabeça, fez um book fotográfico com a boneca e leva a todo canto.