[[legacy_image_15956]] Moradora de São Vicente, a educadora Bárbara de Andrade Baleco passou por dias terríveis durante a passagem deste mês. Tudo em função da pandemia do novo coronavírus, que acabou vitimando seu tio e padrinho Valdir Eronides de Andrade, de 43 anos. "Começou no dia 10, ele teve febre oscilando entre 37 e 39 (graus) e dor no corpo. No dia 12, ele já tinha tosse e falta de apetite. No dia seguinte, ele então foi a Santa Casa fazer aquele teste pago e deu negativo porque ninguém orientou que ele deveria esperar de 7 a 8 dias para dar positivo", contou ela sobre o começo da doença. Mesmo com o resultado negativo e uma pequena melhora, a família ainda suspeitava que Valdir teria contraído coronavírus. O pesadelo teve seu ponto alto no último dia 16, onde o homem estava com muita dor no corpo. Segundo Bárbara, ao chegar no Hospital Ana Costa de São Vicente, ele logo foi encaminhado para a unidade de Santos, onde fez tomografia e foi internado. Sem poder visitá-lo, a família manteve contato com Valdir via WhatsApp. "Ele falava que não estava bem, que só conseguia respirar com máscara de oxigênio". Após isso, Valdir foi encaminhado para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), e as mensagens com os parentes deixaram de existir. "No dia 19, por volta de 12h, ligaram e falaram para irmos ao hospital, onde informaram o óbito", disse a educadora. Segundo Bárbara, a parte mais difícil da história é se sentir de mãos atadas, sem poder visitar o tio e nem sequer ter a oportunidade de dar um velório digno a ele. Desabafo Na última terça-feira (21), Bárbara decidiu desabafar sobre todo o ocorrido em sua conta no Facebook. No post, ela crítica alguns meios de comunicação que afirmaram que seu tio tinha diabetes, dando a entender que apenas pessoas doentes morrem em função do vírus. Ela ainda aproveita para salientar que o isolamento deve ser respeitado, e que as pessoas que defendem a volta à rotina normal, não sabem o que é ter um parente vítima do coronavírus. "Fiz o texto devido a revolta por muitas pessoas acreditarem que essa doença não é nada, acha que só atinge idosos ou pessoas com comorbidades". No desabafo, Bárbara ainda finaliza. "Precisamos sair da bolha e achar que somos o único país passando por isso, achar que somos 'imbatíveis'. É mais fácil levantar um falido do que um falecido, pois as contas ficam e a vida não".