[[legacy_image_203538]] Os candidatos à Presidência da República neste ano têm realidades financeiras bem distintas, conforme pode ser observado nas declarações de bens registradas na Justiça Eleitoral pelos 11 concorrentes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O empresário e cientista político Felipe D’Avila (Novo), que afirmou ser um “cidadão como qualquer outro” no debate promovido pela TV Bandeirantes, na noite do último domingo (28), informa ter um patrimônio de R\$ 24,6 milhões. Na outra ponta, está o técnico em mecânica Léo Péricles (UP). Morador de uma ocupação na periferia de Belo Horizonte (MG), ele informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possuir R\$ 197,31, montante que está depositado em uma caderneta de poupança. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acumula o segundo maior patrimônio entre os presidenciáveis: R\$ 7,4 milhões. Esse valor é pouco mais de três vezes superior ao declarado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) ou pela senadora Simone Tebet (MDB) — ambos com R\$ 2,3 milhões. A lista dos concorrentes ao Palácio do Planalto tem ainda mais dois milionários: José Maria Eymael (DC, R\$ 6,5 milhões) e Ciro Gomes (PDT, R\$ 3 milhões). Além de Péricles, mais quatro candidatos informaram ter patrimônio abaixo de R\$ 1 milhão: Soraya Thronicke (União, R\$ 783 mil), Roberto Jefferson (PTB, R\$ 745,3 mil), Sofia Manzano (PCB, R\$ 498 mil) e Vera Lúcia (PSTU, R\$ 8,8 mil). O detalhamento das declarações de bens apresentadas pelos candidatos às eleições deste ano podem ser consultados na página DivulgaCandContas. Controle socialA gerente de Projetos e de Comunicação da organização Transparência Brasil, Marina Iemini Atoji, afirmou que a declaração de bens nos moldes atuais passou a ser uma exigência para os candidatos em 1997, quando entrou em vigor a Lei das Eleições, federal (9.504/1997). A partir de 2002, o TSE passou a aprimorar a forma de divulgação dessas informações ao público. A Transparência, da sociedade civil, acompanhou e monitorou os dados. Com esse detalhamento em mãos, é possível conhecer melhor os concorrentes e verificar, por exemplo, se eles atuarão em defesa de pautas de um setor econômico específico. “Se o candidato é titular da maioria das ações de uma empresa do ramo farmacêutico ou da construção civil, é possível mapear os interesses com os quais ele tem mais proximidade e que podem direcionar a sua futura atuação no Executivo ou no Legislativo”, afirmou Marina. A gerente citou que essa publicidade é importante para as pessoas identificarem variação patrimonial muito discrepante em um período muito curto. “Esse controle social também é fundamental para monitorar aqueles que não foram eleitos. Vários deles continuam como dirigentes partidários, assumem cargos comissionados ou seguem tendo uma grande aproximação com quem está no poder”, justificou.