[[legacy_image_248667]] A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB ) lança nesta Quarta-feira de Cinzas (22) a Campanha da Fraternidade 2023. O tema deste ano é Fraternidade e Fome, com o lema “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A Diocese de Santos, que abrange os nove municípios da Baixada Santista, lança a tradicional iniciativa também desta data, às 9 horas, em missa na Catedral de Santos, no Centro. A celebração será feita pelo bispo de Santos, dom Tarcísio Scaramussa. O objetivo é propor aos fiéis um olhar mais fraterno para aqueles que sofrem com a falta de algo básico na vida de qualquer pessoa: a alimentação, incluída como um direito no Artigo 6º da Constituição. “A campanha é uma das maneiras de se viver a espiritualidade no tempo da Quaresma, momento de renovação. O tema se deu a partir de consulta realizada com a população por meio da internet. Durante a avaliação, as dioceses enviam sugestão de tema para a próxima”, explica a coordenadora diocesana da campanha em Santos, Helenice de Queiroz Vizaco. Números O texto-base da Campanha da Fraternidade foi divulgado no dia 10, em evento realizado em um colégio no Bairro José Menino, em Santos. A jornalista e gestora em Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável Vanuzia Teixeira de Souza Batista localizou o tema na região: “Fome: Realidade atual da Baixada Santista”. De acordo com dados do Cadastro Único do Governo Federal, há 138,5 mil famílias (ou 415,5 mil pessoas) na região - que tem população de 1,8 milhão de pessoas - em situação de pobreza e extrema pobreza. Em números absolutos, é quase o total de habitantes de Santos, que possui 16,7 mil famílias nessas condições. A cidade líder na região no triste quesito, porém, é São Vicente, com 26,7 mil. Já Mongaguá é a última colocada na Baixada (6,2 mil). “Temos que sensibilizar a sociedade santista para que se enfrente o flagelo da fome, por meio de compromissos que transformem nossa realidade”, afirma a coordenadora da campanha na região. “Ações são paliativas e estruturais, mas não suficientes. Precisamos formar a consciência das pessoas para a empatia, solidariedade, justiça e fraternidade. Não podemos permanecer insensíveis. Todos somos responsáveis”, alerta. Pandemia agravou o problema A pandemia de covid-19 agravou o problema da fome no Brasil, que já era grave, levantado pela Campanha da Fraternidade deste ano. O ponto natural de partida para esse quadro desolador foi o desemprego, o que deixou muitas pessoas sem renda para a compra de alimentos. “As causas para a fome compreendem desde questões sociais, econômicas e políticas, destacando-se as desigualdades sociais, crises e a má distribuição de alimentos”, observa a coordenadora diocesana da campanha em Santos, Helenice de Queiroz Vizaco. Com isso, lembra Helenice, a visibilidade do problema da fome ficou ainda maior. Boa parte da população precisou readaptar seus hábitos de consumo, optando por alimentos mais baratos e, assim, configurando um quadro de insegurança alimentar nos mais variados níveis de gravidade, comenta. “O lema da campanha – Dai-lhes vós mesmos de comer (Mt 14-16) – significa seguir uma ordem de Jesus aos seus discípulos. Ninguém deve sofrer com a fome quando realmente vivemos como irmãos e irmãs. A insegurança alimentar ameaça a vida e seus meios de subsistência”, lembra a coordenadora. Situação de pobreza e extrema pobreza (famílias) São Vicente - 26,7 mil Itanhaém - 21,6 mil Guarujá - 18,9 mil Santos - 16,7 mil Praia Grande - 15,5 mil Cubatão - 12,2 mil Peruíbe - 11,5 mil Bertioga - 9,2 mil Mongaguá - 6,2 mil Fonte: Cadastro Único do Governo Federal