[[legacy_image_9041]] Foi-se o tempo em que pensar nos avós trazia a referência de uma pessoa de cabelos brancos que fazia crochê ou ficava o dia todo em casa assistindo televisão. Hoje, eles ajudam a cuidar dos netos e dos pais, além de trabalhar e esbanjar vida e energia. E, também por isso, recebem neste Dia dos Avós todas as homenagens. A avó Rosilda Martinez de Menezes, de 62 anos, se desdobra na rotina de cuidados com a mãe Zilda Martinez, de 86, e do neto Bernardo Martinez Menezes da Costa, de 3. A família mora no Jardim Santa Maria, em Guarujá. “Ela cuida do café, do almoço, do lanche e da janta. Leva meu filho para a escola e sempre acompanha minha avó, que está cega, no banheiro”, conta, cheia de gratidão, a filha Carolina Martinez Menezes, de 30 anos. Por trabalhar inclusive aos finais de semana, Carolina diz que a mãe tem papel fundamental na sua rotina. “Apesar de cada um ter seu jeito, minha mãe é minha lição da vida. Ela me ensinou muito e sempre esteve ao meu lado. Foi mãe sozinha, se desdobrou para trabalhar e cuidar da família. Hoje, ainda cuida do meu filho e da mãe dela. Merece todas as homenagens e surpresas”, emociona-se. Outro lar Rosilda não está sozinha num lar em que os avós têm papel fundamental. Na casa de Jurema Nunes, de 60 anos, as tarefas incluem costurar para fora, dedicar-se à mãe Julinda Francisca de Souza Nunes, de 92 anos, e estar presente na vida do neto Gustavo Nunes Bento dos Santos, de 2. “Minha rotina começa cedo e é cronometrada. Se divide entre costurar, dar banho na minha mãe, preparar as refeições de todos e ficar com meu neto. Os dois exigem o mesmo tipo de cuidado”, explica Jurema, fazendo o cotidiano agitado parecer algo simples e comum. Ela, aliás, é grata pela saúde que tem. Afinal, só esbanjando disposição para atender a todos com tanto cuidado e dedicação na casa da família, que fica na Vila Mathias, em Santos. “Eles são tudo de bom. Exigem bastante, mas eu só posso agradecer por poder me dedicar com todo o coração”, conta Jurema. A filha, Paula Carolina Nunes Bento, de 36 anos, chega em casa todo dia por volta das 20h e nem precisa se preocupar com o pequeno Gustavo. “Minha mãe me dá muito apoio. Só de olhar o Gustavo com tanto amor... é tudo! Sem ela, eu não seria nada. Hoje, 70% do meu dia só é possível graças a ela. E eu só posso agradecer. Chego em casa e meu filho está alimentado, bem-cuidado e feliz”. Por causa de avós assim, como os que estão em casa cuidando do neto e dos pais para que a jornalista aqui escrevesse esta matéria, é que eles merecem um dia todo especial! Especialistas dizem que perfil dos avós mudou drasticamente Os avós têm sim papel fundamental na vida de seus netos. Mas, além disso, hoje eles representam a segurança de filhos e, em muitos casos, dos próprios pais. Segundo a psicóloga especialista em saúde da família Valéria Rodrigues, houve uma mudança drástica no perfil dos avós nos últimos anos. “Eles vivem mais e querem qualidade de vida. São capazes de cuidar de seus pais, que também vivem mais, e demonstram mais energia para dar conta da rotina dos netos. Hoje, mantêm a mente aberta para tanta tecnologia e transições na sociedade”. A socióloga Elizabeth Santana explica que, com o surgimento de atividades voltadas para o público mais velho, muitos avós hoje sentem-se vivendo a melhor fase de suas vidas. “É aquela velha questão de estar muito ocupado com o trabalho para cuidar dos próprios filhos quando se é jovem. Então, ao torna-se avó ou avô, existe a possibilidade de pisar no freio e ter mais tempo para a família”. A psicóloga Tatiana Sanches, especialista em comportamento humano, conta que abraçar novas funções dentro dos lares e da sociedade faz com que os avós vivam mais e mais felizes. “É fundamental valorizar o papel deles e não há dia melhor para fazer isso do que hoje”.