[[legacy_image_215502]] “Aplicarei os regimes para o bem do doente, segundo o meu poder e o meu entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém”. O trecho do juramento de Hipócrates, realizado pelos formandos em Medicina, dá a ideia da importância deste profissional, que celebra nesta terça (18) o seu dia. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Mas o período de fortes exigências mentais e físicas aos profissionais da saúde, por causa da pandemia de covid-19, traz à tona médicos que cuidaram de muitos, mas que também precisam de amparo. “Como nós temos uma noção das coisas, muitas vezes resolvemos, com essa noção, nos tratar. Em algumas situações, isso funciona bem. Mas, em outras, a gente teria que ter a atenção de um profissional especializado. Vamos tocando, porque tem toda uma rotina bastante intensa”, descreve o médico-cirurgião Rogério Dedivitis, especialista em cabeça e pescoço, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Ele lembra que a covid-19 foi um “furacão” na vida dos profissionais de saúde que, mesmo diante de situações limite, deixou bons exemplos. “Foi um período de (síndrome de) burnout, de excesso de trabalho. Mas a gente também viu muitos extremamente comprometidos com o bem-estar do paciente. Foi uma coisa muito inspiradora.” [[legacy_image_215503]] Inovação e tradição O cirurgião ortopédico Claudino Guerra Zenaide, presidente da Unimed Santos, entende que o período de pandemia acelerou inovações tecnológicas, como o emprego da telemedicina. No entanto, o contato direito entre médico e paciente, no seu entender, continua imprescindível. “Na pandemia, o atendimento em prontos-socorros aumentou muito, o que trouxe um desgaste maior aos médicos. A relação com os pacientes não mudou, nem deve mudar. A Medicina é que muda. Dependendo do quadro, deve ser recomendado um exame presencial, sem dispensar o toque, a conversa”, considera. Dedivitis também acredita que a telemedicina oferece ganhos, mas vale mais trato direto com o paciente. “Vejo (o atendimento a distância) com muita reserva. Muitas coisas foram apressadas durante a pandemia e estão acontecendo agora, coisas que engatinhavam antes da pandemia. (...) A pandemia apressou por uma questão de necessidade. Tenho pacientes em outros estados que, às vezes, consigo atender on-line. Mas nada substitui o contato pessoa-pessoa.” Readequação Guerra lembra das dificuldades na readequação de tratamentos e cirurgias eletivas, adiadas por causa da covid-19. “Hoje, na medicina suplementar, e nós estamos inseridos nisso, dez pagam a conta para três, quatro usarem. Com isso, a conta se paga. Neste ano, ocorreu o inverso. O índice de procura é muito grande”, avalia. Dedivitis vai em outro ponto: a formação dos novos médicos deve ter mais atenção. “Há mais de 300 faculdades de Medicina no Brasil. O Ministério da Educação deve ter uma ação bastante próxima desses cursos. O discurso de formar mais gente é válido, mas perde a eficácia quando não se forma bem”, analisa. A origem da data Uma das versões para 18 de outubro ser o Dia do Médico aponta para São Lucas, que nasceu neste dia, no século 1 d.C. e exerceu a Medicina. Ele foi um dos quatro evangelistas do Novo Testamento, dos quais o seu foi o terceiro, em ordem cronológica. Outros países com influência cristã também comemoram o Dia do Médico nesta data, como Itália, Polônia, Portugal e Espanha.