[[legacy_image_95558]] A feira livre sobrevive ao tempo e à concorrência das grandes redes de supermercados com um charme que lhe é peculiar. Esse encantamento passa, principalmente, pelo trabalho dos feirantes, que celebram seu dia nesta quarta-feira (25). Eles criam uma atmosfera única nas ruas, transformadas em pontos de venda de vários produtos. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Os anúncios de preços para atrair a freguesia continuam os mesmos, à base de muito gogó. É na feira também que o consumidor pode chorar aquele desconto com o vendedor ou, em último caso, recorrer à compra no fim do dia, quando os preços caem. As ruas que se tornam feiras também viram um ambiente propício para rever amigos. “Adoramos os fregueses, são maravilhosos. Já gritei muito (preços), hoje estou com a garganta mais cansada. Os fregueses já nos conhecem”, conta José Joaquim Figuera, feirante há 44 anos. Ele trabalha às terças na feira do Boqueirão, em Santos, na Rua Oswaldo Cruz. Segundo ele, essas relações de amizade são benéficas. “A gente sempre dá descontos. Tem uma troca direta com o vendedor”, diz Figuera, que sempre vendeu cebola, batata e alho. Mudança de vida Paraibana de 40 anos, Elisangela Ventura está há 23 nas feiras de Santos. Logo que chegou à Cidade, ajudou o irmão na barraca que ele havia comprado. Ele voltou à terra natal, e ela, com outra irmã, investiu no negócio. O motivo? Gosta do ambiente, de vender – no caso dela, verduras – e de ver a cor do dinheiro no ato. “Me formei esteticista, mas não gostei. Quero ficar aqui”, afirma. Elisangela entende a feira como um local de oportunidades. Sempre ajuda quem a procura e, toda terça, permite que um homem em situação de rua trabalhe com ela. É pago pelos serviços e recebe alimentos. “A feira é uma mãe”. Fez falta Para os fregueses, o tempo sem feira livre, durante a pandemia, quebrou uma rotina. “Venho constantemente, toda terça-feira. Fez muita falta ficar sem a feira (na quarentena). É uma oportunidade de rever as pessoas do bairro, os vizinhos. Além disso, é uma tradição, e os produtos são mais frescos”, conta o policial militar Edmar dos Santos, de 51 anos. A aposentada Cléia Costa Nunes, de 67 anos, também comemora o comércio de rua, onde, segundo ela, consegue economizar. “Sempre vim à feira pelo preço. Principalmente no final, quando os produtos ficam mais baratos. É para economizar e sobreviver”, salienta.