O deputado estadual Campos Machado (PTB) apresentou, em 7 de dezembro do ano passado, o projeto de resolução 7/2018, que altera o Regimento Interno da Assembleia Legislativa para proibir os parlamentares de realizarem lives (transmissões ao vivo) em plenário. O autor justificou que é preciso respeitar a liturgia dos debates. Machado acredita que, ao se dirigir aos seguidores de suas redes sociais no momento dos debates, o integrante da Casa emite “juízos de valores que impedem o uso de uma parte de quem eventualmente esteja sendo criticado” e incita “protestos que podem levar à violência contra pessoas e danos materiais consideráveis”. O ex-vereador santista e deputado estadual eleito Kenny Mendes (PP) classificou a medida como “censura”. “Daqui a pouco, ele vai querer impedir repórter de entrar com microfone na Assembleia? Imagina se quando a televisão foi inventada quisessem proibir a entrada de câmeras. A gente não pode impedir o progresso”, ressaltou. O deputado estadual Caio França (PSB) já se manifestou contrário ao projeto de Machado. O socialista utiliza com frequência as redes sociais no plenário. Reeleito com o socialista,o santista Paulo Corrêa Júnior (Patri) entende que a matéria deve ter algumas adaptações. “A Assembleia é uma casa de leis que está distante da população e a utilização da comunicação via redes sociais traz essa proximidade. Devemos ter essa transparência desde que não atrapalhe os trabalhos, como já ocorreu algumas vezes”, disse. Para o santista Matheus Coimbra Martins de Aguiar, o Tenente Coimbra (PSL), que ingressará na Assembleia neste mês, o projeto de Machado é “a proibição da democracia”. “Que discussão não pode ser revelada ao povo? Qual o motivo desse medo? Vamos brigar pela transparência e publicidade de tudo que acontece na Casa”, ressaltou.