[[legacy_image_316511]] Muretas para conter as ondas do mar, limpeza constante de galerias de águas pluviais, uso do jundu (espécie nativa do Litoral) para barrar a força das ondas, criação de parques verdes, plantio de espécies da Mata Atlântica nas encostas dos morros para evitar deslizamentos. A Tribuna quis saber, dos nove municípios da região, que soluções e iniciativas têm sido propostas e implantadas para reduzir os impactos das mudanças climáticas. Muretas em MongaguáNa cidade de Mongaguá, o objetivo é reforçar a resistência das estruturas urbanas contra a força das marés. “Além de reforços na armação de ferro, as muretas contam com fundações mais profundas e enrocamento para auxiliar na proteção contra a erosão”, diz a nota. E acrescenta: “Também contamos com um amplo programa de melhorias na infraestrutura municipal. As novas redes de drenagem são projetadas para permitir o escoamento rápido das águas da chuva e reduzir o risco de alagamentos. O serviço contempla todos os bairros do Município”. Mongaguá diz, ainda, que na revisão do Plano Diretor há a proposta de incluir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) na nova proposta. “Buscamos nos preparar para estas possíveis mudanças climáticas por meio de investimentos em infraestrutura mais resiliente. Além disso, é importante elaborar um planejamento urbano que leve em consideração os riscos climáticos”, destaca o diretor de Obras Públicas, Ricardo Ferreira. JunduPara evitar alagamentos, a Prefeitura de Peruíbe promove limpeza constante de galerias, valas, rios e canais. Além disso, menciona conter a força das ressacas com a preservação do jundu e com a construção de enrocamento paralelo à linha de praias. Outra solução baseada na natureza (SBN) é a ampliação das áreas verdes: criação de quatro parques naturais municipais (Restinga do Guaraú, Manguezais, Bougainvillée e Vilão) em um total de 110,5 hectares. Para as encostas, informa que o trecho crítico é a Estrada do Guaraú, com 4,9 quilômetros, que está com obras de contenção e monitoramento constante, “inclusive (com) fechamento nos momentos de chuva forte e quando se constata algum risco”, diz, em nota. Limpeza de arA Prefeitura de Cubatão destaca as ações adotadas nas décadas de 1980 e 1990, quando a poluição atmosférica chegou a índices alarmantes. “A Cidade conseguiu controlar a emissão de poluentes após ação conjunta entre Poder Público e indústrias, índices monitorados e fiscalizados até os dias de hoje pela Cetesb e pela Secretaria do Meio Ambiente, recebendo o título de ‘Cidade Símbolo da Ecologia”, informa. Outras ações destacadas pela Prefeitura: instituição da Agenda 21, com compromissos locais de preservação, e remoção de 7.248 famílias dos bairros-cota e reflorestamento dos espaços desocupados. A Administração cubatense destaca, ainda, a urbanização da Vila Esperança e projetos para esse bairro, o Morro da Mantiqueira e a Ilha Caraguatá. Combate a enchentesA Prefeitura de Itanhaém salienta projetos em andamento para o desassoreamento de rios, a fim de auxiliar na drenagem das águas pluviais. Também faz referência à criação, em 2021, de programa de combate às invasões e ocupações irregulares. desmatamento ilegal, que mantém ações de fiscalizações periódicas. A nota da Prefeitura informa, também, que o Município mantém os projetos Meu Bairro Verde, Espaço Árvore e Projeto Jundu, além de planos municipais que direcionam as diretrizes das ações integradas de enfrentamento aos impactos de mudanças climáticas e por meio de soluções baseadas na natureza. Prevenir deslizamentosAlém de adotar o Plano Preventivo de Defesa Civil, a Prefeitura de Guarujá informa que aderiu, recentemente, a dois sistemas de alerta:Sistema de Aviso de Ressacas e Inundações Costeiras (Saric), plano que está sendo criado na região para atender eventos naturais, e o sistema experimental de alerta e avisos, desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio de acionamento de sirenes em comunidades localizadas em áreas de risco geológico. A área escolhida como projeto piloto foi a Barreira do João Guarda, atingida fortemente em março de 2020. Na elaboração do Plano Diretor e da Lei de Uso e Ocupação do Solo, o Município diz que a preocupação é com a ODS 13 (mudança do clima): criação da taxa de permeabilidade, criação de um qualificador urbano de arborização urbana, que ajuda a melhorar o microclima dos bairros; criação de um qualificador urbano de pavimento vazado nas construções, para não interromper a circulação da brisa marítima, e obrigatoriedade, para lotes acima de 500 metros, de construção de um reservatório para acúmulo das águas das chuvas a fim de auxiliar na drenagem. CapacitaçãoA Prefeitura de Praia Grande destaca o investimento que tem feito na capacitação de seu corpo técnico para lidar com as questões das mudanças climáticas, com a participação, inclusive, de entidades e organismos reconhecidos internacionalmente. Além disso, declara desenvolver um projeto para a formação de dunas costeiras e proteger as que já estão se desenvolvendo junto aos remanescentes de jundu, “propiciando condições para que a sua regeneração natural ocorra de forma gradual”. Santos é referência nacionalUma das cidades brasileiras mais impactadas pelas mudanças do clima, Santos também vem se destacando no cenário nacional pela busca de soluções e pelas parcerias que tem feito na capacitação de seu corpo técnico. Em 2021, o Grupo Boticário lançou seu Acelerador de Soluções Baseadas na Natureza. Santos apresentou seu projeto de contenção de encostas com o plantio de espécies para conter deslizamentos. Santos ficou entre as duas cidades brasileiras que podem se capacitar para receber recursos internacionais. “Santos está bem à frente nessa caminhada”, diz Juliana Ribeiro, da fundação. Secretário na COPMarcos Libório, secretário de Meio Ambiente de Santos e presidente da Câmara Temática de Meio Ambiente do Conselho de Desenvolvimento da Região (Condesb), viajou ontem a Dubai, onde participará da COP28. Ele destaca que o projeto de contenção das encostas a partir do plantio de mudas com raízes que retêm a água e a terra já apresenta resultados. “Esse caminho, associado a obras de estabilização do solo, têm evitado deslizamentos mesmo nos períodos de chuvas intensas”. Segundo o secretário, será preciso, em breve, planejar mais corredores verdes e áreas arborizadas para mitigar as ondas de calor. Em Dubai, sua agenda está pautada em conseguir parcerias e recursos de países que têm investido no Brasil, como a Alemanha. E ele faz um alerta: “A Ciência tem feito seu papel, que é de alertar. Precisamos, agora, é mudar com urgência os hábitos”.