[[legacy_image_24554]] Diante de tantas notícias ruins relacionadas ao coronavírus, a pedagoga Laura Maria Costa Soriano, de 38 anos, enfrentou e venceu a batalha contra a covid-19. E com o filho Vicente, de 29 semanas, na barriga. “Eu pensei muito na minha vida e a vontade de ver meus filhos de novo me fez lutar até o último segundo”. De 24 de março, quando apareceram os primeiros sintomas, até a alta em 8 abril, foram dias de medo, solidão e desespero. Ela, que é moradora da Vila Melo, em São Vicente, sequer podia tomar hidrocloroquina. "O que me salvou foi muita oração. Tenho muitas promessas para cumprir depois que a quarentena passar", diz Laura. Em poucos dias, o mal-estar que parecia uma gripe logo evoluiu para dias no isolamento e com oxigênio para conseguir respirar. "Meu pulmão estava com água e fui para a UTI. Tiraram tudo de mim e fiquei incomunicável. As notícias que minha família tinha de mim eram as que ligavam em casa para avisar", lembra a pedagoga, que também é mãe de Antonio, de 7 anos. Hoje, para Laura, o maior sonho é reencontrar os pais, que têm 75 anos. "Quando peguei meu celular tinham muitas mensagens de pessoas preocupadas e eu agradeço cada uma delas. Agora, fala encontrar, abraçar e beijar as pessoas que tanto amo". Linha de frente O fisioterapeuta Guilherme Dutra de Oliveira, de 36 anos, lida com a parte de ventilação mecânica de um hospital em São Paulo. Ele já esperava que pudesse pegar a covid-19, mas tinha a preocupação de contaminar outras pessoas, como a namorada que mora com ele no bairro Pinheiros. "Eu estudei para isso e temos de ter coragem neste momento. Chegou a hora. Temos de nos paramentar e tomar os cuidados. Mas, para quem fica com essa de sair de casa rapidinho para ver alguém ou só almoçar com a família, contaminar alguém e essa pessoa ficar mal é uma culpa que ninguém vai querer carregar", diz ele. Guilherme conta que sentiu como se estivesse com sinusite. Chegou a ficar mal por alguns dias, mas não teve as mesmas complicações de Laura. "Por seis dias fiquei sentindo como se tivesse inalando um ar seco. Eram altos e baixos, como se estivesse melhor e de repente algo me derrubava de novo". Ele conta que, como se recuperou da doença, está passando por uma triagem para doar plasma (parte líquida do sangue) e ajudar no tratamento de outras pessoas. “Levei o meu teste positivo para covid-19 e estou aguardando para ver se serei aceito. Não posso mais ter a carga viral e preciso apresentar anticorpos suficientes para ver se estou imune. É a hora de ajudar outras pessoas”. [[legacy_image_24555]] Vida nova Os primeiros dias de sintomas da empresária e influencer Juliana Gorla Villas Boas, de 37 anos, foram só de cansaço e indisposição. Tanto que a moradora do Campo Grande, em Santos, achou que fosse uma dengue e fez repouso. Mas a situação piorou. E muito. Hoje, ao vencer o coronavírus, Juliana diz que vê a vida de outra maneira. “Eu não tenho comorbidades e em pouco tempo aumentou muito a minha falta de ar. A febre também apareceu. Logo fui internada e, no dia seguinte, me colocaram em um respirador. Mas eu não tive conforto nem com isso. Ficava cansada e ofegante até para falar”, conta ela, que chegou a ficar na UTI. Depois de sua alta, no último dia 30, ela diz que dá mais importância para a família e para estar com as pessoas que ama. Na casa dela, o marido Fernando, de 37 anos, e o filho Marcelo, de 4, também contraíram a doença, mas não precisaram de internação. “Passei a amar a quarentena que todos detestam. Eu senti a vida de volta. Voltar para a rotina é renascer. A gente não sabe o que vai ser e isso é horrível”, diz Juliana. Ela pede, ainda, que cada um faça a sua parte e fique em casa. “Quem vive isso passa a dar mais valor à vida e se conecta mais com Deus. Os enfermeiros e médicos estão brigando mesmo e com todo o amor que têm. Então, precisamos fazer a nossa parte”. [[legacy_image_24556]]