[[legacy_image_109734]] A maior circulação de pessoas na Baixada Santista com a volta das atividades, incluindo o turismo, junto à crise econômica - que aumentou o desemprego e diminuiu a renda - é uma combinação perfeita para o aumento dos roubos e, consequentemente, dos latrocínios (roubos seguidos de mortes), dizem especialistas na área criminal ouvidos por A Tribuna. Eles acreditam que é necessária investigação rigorosa para prender os autores e desestimular os crimes. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Nas últimas duas semanas, quatro roubos resultaram em mortes das vítimas na região. No último sábado (2), uma mulher de 41 anos foi morta a tiros por ladrões que levaram seu carro e celular, em Itanhaém. Na mesma Cidade, uma casa foi invadida por bandidos no dia 24 de setembro, que balearam as quatro pessoas na residência, duas morreram, um homem e uma adolescente de 17 anos. [[legacy_image_109735]] Já em Guarujá, um turista de Minas Gerais, de 38 anos, morreu após reagir a um assalto no dia 28 de setembro, no bairro da Enseada. Dois dias depois, também em Guarujá, o funcionário de uma loja, de 51 anos, foi morto após ser baleado durante uma tentativa de assalto no dia 30 de setembro. Conjunto de situaçõesO advogado criminalista Armando de Mattos Júnior aponta três situações para que os latrocínios aumentem. “Primeiro, as pessoas estão circulando mais, em bares, restaurantes, se deslocando ao trabalho. Segundo ponto: a criminalidade aumenta por causa da escassez de trabalho, um problema sério no nosso País. E terceira questão são os receptadores. Tudo que é roubado tem alguém que compra, o automóvel, a bicicleta, a joia, o celular”. Para ele, é preciso que a Polícia Civil identifique e prenda os receptadores, mas também que haja mais patrulhamento preventivo da Polícia Militar. “Lamentavelmente, a polícia não pode estar em todos os lugares, em todos os momentos. É errado reagir, a pessoa acha que tem o comando da situação e não tem, sempre tem outro criminoso ao lado. E tem aqueles que atiram só para ver (a vítima) cair, que tem a índole má mesmo”. [[legacy_image_109736]] O também advogado criminalista Victor Nagib concorda que a baixa das restrições sanitárias, naturalmente, atraí mais criminosos. “Era difícil achar gente na rua, agora os alvos são mais evidentes. E muitas pessoas reagem. Não sei se é porque existe grande publicidade de reações de vítimas que acabam dando certo e virando hits de WhatsApp. Mas a pessoa se coloca em risco totalmente desnecessário e imprevisível”. Baixa idadeOs especialistas acreditam que a baixa idade dos criminosos, muitas vezes menores de idades, também colabora com o desfecho trágico em um roubo. Isso porque eles não têm medo da punição - no máximo, três anos de internação - e pouco experiência na atividade criminosa. "Geralmente, o ladrão experiente não quer matar, porque isso chama a atenção da polícia. Um roubo dificilmente é investigado, mas se tiver morte é o contrário. Essas mortes tem relação com gangues de jovens, sem experiência, que não se importam com a vida alheia. Eles se acham invulneráveis”, diz o analista criminal e membro do Fórum Brasileiro da Segurança Pública, Guaracy Mingardi, que também é ex-subsecretário nacional de Segurança Pública. Para Mingard, não há como prevenir totalmente os roubos. “Mas quando a vítima é maltratada, ferida, morta, a resposta precisa ser muito mais intensa da polícia. Deve ser prioridade. O criminoso precisa saber que não ficará impune”. [[legacy_image_109737]] SSP diz que índices são baixosOs índices de latrocínio e vítimas registrados neste ano, de janeiro a agosto, no Estado, são os menores da série neste período desde 2010, diz a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP). “São 109 e 103, respectivamente. No litoral paulista, também há diminuição. Na área do Deinter-6, no mesmo período, há quatro registros e quatro vítimas, ante a nove e 11, respectivamente, nos primeiros oito meses de 2020”, afirma. Este ano, até agosto, as forças de segurança prenderam na região 7.215 criminosos e retiraram 593 armas ilegais das ruas na Baixada, diz a SSP. “Os casos mencionados pela Reportagem estão em investigação pelas respectivas unidades e detalhes não podem ser passados no momento para garantir autonomia ao trabalho policial”. A Secretaria afirma, ainda, que os programas de policiamento preventivo e ostensivo, assim como as ações de polícia judiciária, são intensificados em todo o Estado, a fim de ampliar a segurança da população. “Um exemplo foi a operação deflagrada pela Polícia Civil do Deinter-6 entre 22 e 24 de setembro, que prendeu 388 suspeitos e apreendeu 42,4 quilos de drogas.