[[legacy_image_206692]] Os candidatos a deputados federal e estadual filiados a partidos de coligações lideradas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelo governador Rodrigo Garcia (PSDB) estão sendo impedidos de fazer campanha em áreas de favela e de morros na Baixada Santista, conforme apurado por A Tribuna. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado confirmou que o Ministério Público Eleitoral tem em aberto um inquérito, que corre em segredo de Justiça, para apurar esse tipo de situação. O salve (aviso) imposto por uma facção criminosa a concorrentes também ocorreu no pleito de 2020, quando postulantes a prefeito e a vereador da região ligados ao PSDB foram impedidos de pedir votos em regiões periféricas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na última semana, dirigentes partidários, candidatos e profissionais que atuam como cabos eleitorais confirmaram essa restrição para A Tribuna, sob condição de anonimato. “Em 2020, sofri na pele com esse salve. As equipes de rua de um candidato da coligação do governador foram obrigadas a se retirar ao entrar no Quarentenário e no México 70, em São Vicente”, lamentou uma fonte dessa cidade. [[legacy_image_206693]] Uma das pessoas consultadas acreditava que o impedimento seria apenas um boato circulando no WhatsApp, mas, em questão de dias, se constatou a veracidade da informação. “Preferimos não pagar para ver e preservar a integridade dos nossos cabos eleitorais, que já foram expulsos de alguns locais. Há o impedimento de distribuir materiais na Área Continental de São Vicente. Isso nos obrigou a mudar a estratégia em busca de votos em toda a região”, disse. Um candidato de Guarujá está indignado por ter sido barrado ao tentar entrar em algumas comunidades. “Fui ameaçado de tomar um pau ao insistir em fazer uma caminhada em uma favela. Gente que mora há anos e investe nesses locais está proibida de fazer campanha para o pessoal do PL. Para furar esse bloqueio, vou ter que investir em vídeos para chegar aos moradores desses locais”, frisou. Uma pessoa com ampla experiência na política acredita que candidatos de partidos de esquerda não sofrem com essa restrição porque, normalmente, as lideranças políticas dessas siglas se fazem presentes para levar as reivindicações dessas comunidades às autoridades. “Quem só aparece na época da eleição não tem vez mesmo. As pessoas estão cansadas de serem usadas”, alertou. O receio é tão grande entre candidatos que até mesmo reuniões políticas com os moradores de regiões periféricas são organizadas com muita cautela, para evitar a exposição dos eventuais apoiadores. “Há pessoas que me avisam, de forma chateada, que não podem fazer campanha para mim por apoiar o presidente Jair Bolsonaro. Infelizmente, isso está ocorrendo em outras localidades de São Paulo e do Brasil”, disse. Em Santos, criminosos não permitem campanhas na área das palafitas do Dique da Vila Gilda e em alguns morros, nem mesmo manifestar apoio por meio de adesivos nas residências. “Estou ajudando um candidato da nossa Cidade. Tenho um bom trânsito com algumas lideranças da Zona Noroeste. No fim do mês passado, mandaram retirar placas e adesivos que estavam nos morros e becos. Campanha só está autorizada da (Avenida) Brigadeiro (Faria Lima, que margeia o Dique da Vila Gilda) para baixo”, explicou. [[legacy_image_206694]] Sem queixasO coordenador regional do PSDB, Jair Lopes, afirmou ainda não ter recebido queixas sobre o impedimento de candidatos fazerem campanhas em áreas periféricas da Baixada Santista. Odair Gonzalez, que comanda o PL na região, declarou que nenhum candidato da legenda o procurou para falar sobre esse assunto. No entanto, ele reconhece que há nomes ligados ao governador e ao presidente que estão impedidos de atuar nessas comunidades.“As pessoas reconhecem os candidatos que estão empenhados em resolver os problemas enfrentados por elas, que são inteligentes e sabem quem são os verdadeiros inimigos”, comentou Gonzalez.