A cada cidade um novo varal. Roupas íntimas, blusas, calças e vestidos são estendidos em locais públicos e visam chamar a atenção para os números alarmantes da Baixada Santista. Desde 2017, o Varal da Vergonha denunciou 956 casos de estupro registrados na região. Só nos dois primeiros meses de 2019, 105 mulheres sofreram um abuso sexual. Criada pela Associação Mulheres Progressistas, em 2017, a iniciativa tem como objetivo estimular a criação de políticas públicas por meio dos números alarmantes de casos. A primeira edição do evento aconteceu em Guarujá e nove edições depois, o grupo conseguiu levar a iniciativa para São Paulo. A presidente da associação, Eliane Belfort, explica que todas as edições são “impactantes” porque a população não tem conhecimento dos índices de violência contra mulher, mas que a iniciativa recebe represálias. “Muitos homens poderosos, usam de seus conhecimentos e articulações para tentar tirar o varal de suas praças. Temos em mente que são pessoas que concordam com esse tipo de violência e a exposição os incomoda muitíssimo”, ressalta. Cada peça pendurada no Varal da Vergonha corresponde a um caso de estupro cometido no ano anterior a ação. Também são colocados cartazes que explicam a cultura do estupro e da violência contra mulher conforme o número de peças de roupa. “Não escolhemos um tipo específico para mostrar que as mulheres são estupradas com qualquer tipo de roupa”, esclarece Eliane. [[legacy_image_3901]] Índices De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a Baixada Santista registrou 105 casos de estupro nos meses de janeiro e fevereiro de 2019. Já em 2018, 500 casos aconteceram na região, o número corresponde a um aumento de 30%. A cidade com o maior índice entre 2017 até fevereiro foi Praia Grande, que registrou um total de 197 casos, sendo 109 ocorrências somente em 2018. Guarujá segue em segundo lugar com 157 ocorrências no mesmo período, sendo acompanhada por Itanhaém onde 141 mulheres sofreram esse tipo de violência. 128 casos aconteceram em Santos no mesmo período. Já em São Vicente, 115 mulheres foram vítimas do crime. Peruíbe, Mongaguá, Cubatão, Bertioga e Peruíbe registraram menos de 100 ocorrências desde 2017, onde o menor número foi de 43 casos, ocorridos em Bertioga.