[[legacy_image_18226]] A decisão da Anvisa de interromper a pesquisa da vacina contra o novo coronavírus acabou ganhando ares de guerra política, o que gerou críticas entre os especialistas em saúde. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! O coordenador-executivo do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo, João Gabbardo, diz que decisão “é injusta” e chama a atenção pelo fato de ter ocorrido “coincidentemente” na mesma data em que o Estado havia anunciado data de chegada do 1º lote do medicamento ao País. “O que nos choca é que todos estão correndo para termos a vacina disponível e há algumas pessoas que apostem no contrário”. O médico infectologista Evaldo Stanislau afirma ter estranhado o imbróglio. Tecnicamente, segundo ele, quem está fazendo a pesquisa tem que comunicar aos órgãos de regulação qualquer evento adverso grave e deve ser verificado se tem relação com a CoronaVac. “Eles comunicam corretamente um evento grave e, no dia que o governador anuncia que vai chegar o primeiro lote, à noite, vem a notícia de que a Anvisa suspendeu os testes. É, no mínimo, esquisito”. O infectologista Renato Grinbaum, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), também criticou a forma como a situação foi conduzida. “Se os pesquisadores já anunciaram que não existe relação (entre o evento adverso grave e a vacina), então a decisão da Anvisa não só é precipitada como não embasada tecnicamente e tem que ser justificada à sociedade”. A infectologista e professora da Universidade de Campinas (Unicamp), Raquel Stucchi, diz que é correto haver suspensão temporária de projeto em caso de evento adverso grave para que se esclareça se ele está ligado à vacina. “Espero que a Anvisa seja um órgão isento de qualquer interferência e pressão externa e que continue, como sempre foi, um órgão de respeito de toda a sociedade para a avaliação de todos os novos medicamentos entre outras atribuições no Brasil”.