[[legacy_image_221331]] O Ministério da Saúde recebeu na semana passada um lote com 1 milhão de doses de vacinas da Pfizer contra a covid-19, destinadas a crianças de 6 meses a menos de 3 anos com comorbidades, mas até esta quarta-feira (9) não havia definido o esquema de distribuição do imunizante para os estados. Isso ocorre em um momento no qual o País tem alta no número de casos, e a primeira morte pela nova variante, a BQ.1.1, foi confirmada na terça-feira (8), em São Paulo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Procurado por A Tribuna, o ministério limitou-se a enviar uma nota, citando que “o início do processo de distribuição a todos os estados está previsto para os próximos dias”. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), São Paulo requisitou “615 mil doses do imunizante Pfizer ao Ministério da Saúde, e aguarda o envio pelo Governo Federal para definição do início da vacinação”. Segundo a SES, “as doses serão destinadas às crianças entre 6 meses e 2 anos de idade com comorbidades”. A secretaria também informou que “atualmente, a campanha de vacinação contra covid-19 no Estado já contempla todas as crianças de 3 e 4 anos de idade, devido à doação de 2 milhões de doses da vacina CoronaVac realizada pelo Instituto Butantan, no mês de setembro”. Em relação à vacinação das crianças com comorbidades, as prefeituras das cidades da Baixada Santista aguardam a confirmação do envio pelo Estado, para definir o início das campanhas de imunização. “Ação desastrosa”Para o infectologista Evaldo Stanislau, houve um conceito equivocado, no início da pandemia, de que as crianças teriam formas mais brandas da doença. “De fato, as crianças evoluem bem, mas a gente viu que tem uma síndrome inflamatória associada à covid que se expressa muito em crianças. A criança é tão vulnerável como o adulto. Nós temos, aproximadamente, duas mortes por dia de crianças por covid no Brasil. Neste ano, foram 1,6 mil óbitos”. Segundo Stanislau, o atraso na vacinação é um fator a mais de risco para as crianças. “É uma ação desastrosa, para não dizer criminosa, do Ministério da Saúde deixar as crianças sem vacina”, diz o infectologista, que defende a vacinação de todas as crianças, sem o recorte por comorbidade. O aumento do número de casos no País e o registro da primeira morte pela nova variante também preocupam o infectologista. “Essa variante traz uma grande capacidade de infecção. E a maneira que a gente tem de se proteger contra formas graves é estando vacinado”. Um milhãoSegundo a Agência Brasil, mais 1 milhão de doses de CoronaVac, para vacinação de crianças e adolescentes, serão entregues pelo Instituto Butantan para o Governo Federal. O anúncio foi feito ontem e o carregamento deve deixar a sede do instituto hoje, para o Centro de Distribuição do Ministério da Saúde, em Guarulhos. A nova remessa do imunizante é o segundo aditivo ao contrato para o fornecimento de 10 milhões de doses, assinado em janeiro, para o Programa Nacional de Imunizações (PNI).