[[legacy_image_16519]] De cada dez pessoas que morreram vítimas da Covid-19 na Baixada Santista entre março e julho, praticamente oito têm mais de 60 anos e a maioria apresentava algum tipo de comorbidade. Na região, 76,7% dos óbitos são de moradores que pertencem ao grupo de risco. Essa taxa é maior que a média nacional, que está em 72%, de acordo com dados do Ministério da Saúde, e supera ainda os índices do Estado, que são de 75%. Os homens representam a maior parte das vítimas, com 59,4% dos falecimentos. Entre as comorbidades mais frequentes, estão diabetes, doenças vasculares e hipertensão. O levantamento levou em conta dados informados pelos municípios da região no período entre 24 de março e 30 de julho. Itanhaém não respondeu até o fechamento da edição. Santos concentra a maior parte dos casos. Foram 467 óbitos, sendo 85% deles de idosos. A faixa entre 80 e 89 anos foi a mais afetada, com 134 mortes. São Vicente registrou 276 vítimas. Do total, 205 (74,3%) são de pessoas acima dos 60 anos. Na faixa acima dos 70 anos, foram 136 falecimentos. Guarujá teve 264 moradores vítimas fatais do novo coronavírus, sendo 188 (71,2%) com idade superior a 60 anos. A faixa entre 60 e 79 anos concentrou a maior parte. Em Praia Grande, dos 150 óbitos ocorridos no período, 70% foram em maiores de 60 anos. Em mais de 90% dos casos, os pacientes tinham comorbidades. Já em Peruíbe, dos 22 casos registrados, 20 (90,9%) foram de moradores idosos. A faixa que apresentou maior incidência foi entre 60 e 70 anos, com sete pessoas que vieram a óbito. O perfil vai ao encontro do que sempre foi pregado por especialistas em infectologia de todo o mundo. Idosos e pessoas com comorbidades estão na mira do vírus e apresentam maior chance de não resistir ao ataque. Se fosse uma escada, onde no pé você está normal e no alto, muito doente, é como se essas pessoas já saíssem do meio da escada. Por isso, têm maior probabilidade de vir a óbito”, explica o infectologista Evaldo Stanislau, acrescentando que idosos com doenças crônicas apresentam órgãos em situação complicada. “Eles têm coração, rim e pulmão piores e um certo grau de imunodeficiência. Porque a gente envelhece também a resposta imunológica”. Detalhes A Covid-19 se manifesta como uma doença viral entre o primeiro e o sétimo dias, diz a infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Ingrid Cotta. O problema, segundo ela, costuma ocorrer entre o sétimo e o 14º dias. Nessa fase, a doença pode evoluir para uma grande inflamação, ocasionando duas complicações mais frequentes: infecção bacteriana secundária e tromboembolismo. “Podem ocorrer ainda complicações extrapulmonares, comprometendo outros órgãos. Para quem tem comorbidades como hipertensão, diabetes e cardiopatias, junto com essa grande inflamação, aumenta o risco de óbito”, complementa Ingrid. Momento de relaxar está distante de ocorrer De acordo com os especialistas em Saúde, não é hora de relaxar. Ainda há muitas indefinições sobre o cenário envolvendo a Covid-19 para os próximos meses e é impossível dimensionar as consequências da reabertura ocorrida até o momento na região e no Estado. Só uma coisa é certa: os cuidados aprendidos com a pandemia, como lavar sempre mãos e superfícies e manter o distanciamento social, deverão ser mantidos por um bom tempo. “Nesse caminho, a gente aprendeu a importância do isolamento, isso não caiu por terra. Então, quem pode deve ficar em casa. É importante para controlar a transmissão”, acrescenta a infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Ingrid Cotta. Ela lembra que o uso da máscara deve ser encarado como um dever para a própria proteção. “Mas tem de ser utilizada da forma correta. Não se deve ficar pegando nela. É preciso ainda higienizá-la e trocá-la, se estiver úmida”. Sem controle Os novos hábitos são necessários, uma vez que a pandemia ainda não está controlada. “A primeira coisa que tem de ser dita com todas as letras é: ninguém sabe para onde ela caminha”, diz o infectologista Evaldo Stanislau. Segundo ele, o cenário brasileiro é diferente de outras nações. “A Europa fez lockdown e baixou muito a circulação viral. Agora, ela lida com coisas pontuais e faz uma vigilância rigorosa. Aqui, a gente teve um controle parcial. e o vírus continua circulando. Então, a gente não sabe se nos manteremos num platô, lá no alto, ou se vamos conseguir descer”. A infectologista concorda. “Há países na Europa ainda experimentando novos casos de covid-19. Então a gente não tem como dizer se essa doença vai se comportar como uma onda grande ou se nós teremos duas ondas”.