[[legacy_image_113625]] Em tempos de crise hídrica, conta de luz mais cara e preocupação com o meio ambiente, o setor imobiliário passou a investir na sustentabilidade dos edifícios. É o caso do Residencial Bella Vitta Eco Club, em Santos – a instalação de placas solares pelo condomínio vai deixar o gasto com energia 12% menor. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! https://assine.atribuna.com.br/ As 50 placas instaladas no alto do edifício, na Vila Mathias, possibilitam uma oferta de energia maior do que a atual, suficiente para o funcionamento de áreas do prédio, que tem uma pegada sustentável também no reúso de água, gestão do lixo e uma pequena produção de verduras e legumes. “O investimento terá retorno em pouco mais de quatro anos. Depois disso, haverá a efetiva redução na conta de luz”, explica Patrícia Lafuente, síndica profissional. Ela atua também em outro condomínio no Marapé, que também já estuda instalar as placas. O investimento total foi de R\$ 104 mil. A garantia das placas é de 25 anos e a geração média mensal será de 2.102,42/kWh, 38% a mais do que o necessário. “As placas instaladas no alto do prédio precisaram de um reforço, como acontece em estruturas com mais de 12 andares, porque a ação do vento é maior. São montadas estruturas de concreto e utilizado um aço mais resistente”, diz o diretor-executivo da Sustenta Brasil, Alexandre Simões. A empresa é responsável pela instalação da estrutura capaz de gerar energia a partir dos raios solares. O prédio tem ainda uma horta de legumes e verduras comunitária, que é abastecida pela água de reúso captada em quatro caixas d’água que comportam 15 mil litros cada. A água da chuva é transportada até as caixas, onde um equipamento filtra o líquido e devolve para torneiras espalhadas pelos espaços comuns. Até um espaço onde é possível lavar o carro com água de reúso foi criado, explica o gerente do condomínio, Heron de Moraes Campos Feijó. “O filtro custou pouco mais de R\$ 4 mil e serve para todas as quatro caixas. Elas são interligadas. Então, elas enchem igualmente, assim como esvaziam”, afirma. prioridade e utilização O professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP e especialista em tecnologia e gestão da produção na construção civil, Francisco Cardoso, afirma que, na construção, é preciso fazer escolhas e definir prioridades. Segundo ele, aos construtores e incorporadores, a questão de sustentabilidade não está ligada somente à questão da escassez de recursos, mas também em gerar algo que o morador efetivamente vá usar. “Da mesma forma, vale a escolha de materiais, que devem levar em consideração fornecedores que tenham um comportamento socioambiental correto e a vida útil dos sistemas e componentes que irão compor a construção”, diz. Ele admite que são construções mais caras, no entanto, a conta não pode ser feita de maneira simples. Um sistema de reúso de água vai gerar impacto no custo, mas também economia de recurso e conta. “Mas o comprador também precisa reconhecer que este é um produto que agrega valor, com necessidades sustentáveis atendidas”. O presidente da Associação de Empresários da Construção Civil da Baixada Santista, Ricardo Beschizza, diz que os projetos precisam ser avaliados. “Produzir em escala é mais fácil para incluir projetos sustentáveis. No pós-venda, há produtos que compensam, como água e energia. Em qualquer construção, a automação sempre vai gerar economia”, diz. Garantia Para o comprador, diz Cardoso, o reconhecimento pelos dois principais selos de certificação internacional do mercado, AQUA-HQE e Leed, garantem a excelência nesse segmento. “O Brasil, em geral, é um bom construtor. Há mais de 20 anos temos o selo ISO 9001, que garante entrega com o mínimo de qualidade na construção. No entanto, há um caminho a seguir. Os selos de certificação são um desses instrumentos para o consumidor garantir a melhor escolha”, afirma o professor da Poli.