[[legacy_image_153672]] Um programa de testagem de covid-19 em Cubatão apontou que a circulação do coronavírus na Cidade caiu, na comparação com janeiro, e pode significar redução em toda a Baixada Santista. O índice de testes positivos registrados pelo programa Sentinela, de 34,2% em 15 de janeiro, despencou para 0,4% em 19 de fevereiro. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo o médico infectologista Evaldo Stanislau, idealizador do programa, a melhora pode representar o cenário de toda a região, pois os dados são coletados da maneira recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS): com testes realizados em todas as áreas do Município e de forma proporcional à população de cada uma. “É diversificado, com amostra mais representativa da população”, diz, em comparação com os testes realizados nos outros municípios da região, que testam pessoas que procuram atendimento médico. De acordo com a Prefeitura de Cubatão, a metodologia do Sentinela é de medição da presença do vírus entre a população assintomática (sem sintomas) em geral. O programa vai às ruas todos os sábados e segue o protocolo da OMS de dois testes a cada mil habitantes. Para Stanislau, outro indicador que pode ser considerado para avaliar a situação epidemiológica em toda a Baixada é a redução da procura por atendimento médico. Porém, o infectologista explica que a queda na circulação do vírus é justificada pelo aumento da imunidade de moradores. “Muita gente pegou covid-19 entre dezembro (de 2021) e janeiro (de 2022). Mas temos que lembrar que essa imunidade, seja pela infecção natural ou pela vacina, não é para sempre”, afirma, dizendo que a reinfecção pode ocorrer após 60 a 90 dias. O médico ressalta que os números baixos levam à redução de casos, seguida de queda de internações e, consequentemente, de mortes. “Mas o problema não acabou. A subvariante da Ômicron (BA.2) e a diminuição da imunidade podem levar à um novo aumento de casos.” Números da regiãoO índice de testes positivos em cidades da Baixada Santista caiu pouco entre a primeira quinzena de janeiro e a de fevereiro, de 41,62% para 40,14% dos exames. Não há dados comparativos de Cubatão e Praia Grande. No entanto, a quantidade de exames realizados nos períodos caiu 52,4%: de 23.927 em janeiro para 11.388 neste mês. Por isso, o infectologista Evaldo Stanislau afirma que a comparação não deve ser utilizada como critério para simbolizar o momento atual da pandemia. “Tem uma mudança da metodologia”, afirma, sobre as restrições que alguns municípios adotaram para a testagem entre janeiro e fevereiro. Santos, por exemplo, testava todos os moradores com sintomas que procuravam atendimento, mas, durante um período, passou a oferecer exame apenas para pessoas em grupos de risco. “É como se tivesse melhorado a pontaria”, pois, nesse público, a incidência de infectados costuma ser maior. O médico infectologista Leonardo Weissmann concorda em que os testes realizados pelas sete cidades não são suficientes. “Se considerarmos o número de habitantes da Baixada, esse número de testes é muito pequeno. É fundamental a testagem em massa, para identificar os infectados, inclusive aqueles que não têm sintomas, e interromper a cadeia de transmissão.” É preciso atençãoApesar dos indicadores otimistas do Programa Sentinela, os especialistas pedem atenção da população para os próximos dias, principalmente por causa Carnaval. Além de Leonardo Weissmann e Evaldo Stanislau, a médica infectologista Elisabeth Dotti enfatiza a necessidade de que pessoas continuem a se vacinar, usar máscara e manter distanciamento social. “A gente já espera uma fase complicada de novo pós-Carnaval”, diz a médica, que se preocupa com a subvariante da ômicron. “O turista dentro do Brasil, a queda da barreira imune e a subvariante poderão representar um risco”, avisa Stanislau. Para Weissmann, o momento não é para aglomerações. “Se a população quer manter essa queda nos números, todos devem ser responsáveis e fazer a sua parte.”