[[legacy_image_262542]] As cidades da Baixada Santista têm índices baixos de procura pela vacina bivalente contra a covid-19. Em geral, o público-alvo é composto de idosos a partir de 60 anos, imunossuprimidos, pessoas com comorbidades ou deficiência permanente a partir de 12 anos, trabalhadores da saúde, gestantes, puérperas, indígenas e quilombolas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os dados acompanham o que está acontecendo no Brasil. Após quase dois meses de campanha, apenas 17,6% das pessoas aguardadas foram aos postos se imunizar. Até a última quinta-feira, foram aplicadas 9,7 milhões de doses, de um público-alvo estimado em 55 milhões de pessoas. Em Santos, a cobertura vacinal do imunizante bivalente está em 28,5%, índice considerado muito baixo. Em Bertioga, 3.313 pessoas foram vacinadas até a última quinta-feira, o que representa 14,7% da população esperada. Em Cubatão, foram aplicadas 6.412 doses de 28 de fevereiro até ontem. A Administração lembra que as doses da bivalente são inseridas no sistema de acordo com o esquema vacinal de cada pessoa. Por exemplo, se uma pessoa apta a receber a bivalente estiver com o esquema inicial completo, a dose será identificada como primeiro reforço; caso esteja com o primeiro, será creditada como segundo, e assim por diante. Em Guarujá, foram aplicadas 16.809 doses (5,25% do público-alvo). Hoje, a Cidade inicia hoje a imunização contra Influenza e covid-19 para maiores de 50 anos. As vacinas estão disponíveis em 20 postos da rede municipal, de segunda a sexta-feira, das 9 às 15 horas. Em Itanhaém, 9.142 doses da bivalente foram aplicadas — cobertura de 29,4% e muito abaixo da meta, de 95%. Peruíbe é outra cidade que registra índices abaixo do esperado: 4.882 imunizados, ou 21,34% do objetivo. Em Praia Grande, foram aplicadas mais de 31 mil doses da vacina. O sistema, segundo a Prefeitura, permite levantar apenas a cobertura vacinal dos idosos. Foram aplicadas aproximadamente 28 mil doses da bivalente em moradores acima de 60 anos — 38% do público total, de 73 mil pessoas. São Vicente enviou nota, mas não forneceu os números. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, informou que apura os dados sobre quantidade de doses aplicadas no site do Governo do Estado (no sistema VaciVida). Segundo a Administração, não há registro na plataforma por públicos nem por imunizantes da Pfizer adulto e bivalente. Por isso, Secretaria de Saúde alegou que não consegue fornecer as informações solicitadas com precisão. A Prefeitura de Mongaguá não respondeu. Porquês O médico infectologista Evaldo Stanislau afirma que a baixa cobertura é mais um desafio do que um mistério. “Apesar de menos falada, a covid segue matando, infectando e com consequências a longo prazo ainda não totalmente conhecidas. Além disso, a comunicação de fake news e antivacina tem sido muito mais efetiva que a comunicação científica oficial. Por fim, não desburocratizamos a vacinação. Com a razão, não é possível explicar por que os números são tão baixos. Falhamos na ação e na comunicação, simples assim. Na nossa região, os números são igualmente baixos e preocupantes”, afirma. O também médico infectologista Ricardo Hayden afirma que não há margem para se discutir se vacina funciona ou não porque, estatisticamente, é verdadeiro que sim. “Está no coletivo ou individual de cada pessoa se deve concordar ou não com a opinião médica. A Sociedade Brasileira de Infectologia continua preconizando a vacina porque há pessoas que, lamentavelmente, fruto das suas imunocompetências (como produção de anticorpos) ou não e das faixas etárias, podem ter formas graves e sérias da doença, podendo chegar à morte”. Liberada para maiores de 18 anos O Ministério da Saúde anunciou ontem a ampliação da campanha de vacinação contra covid-19 com a dose de reforço bivalente para toda a população acima de 18 anos de idade, diz a Agência Brasil. Cerca de 97 milhões de brasileiros poderão ser vacinados. Pode tomar a bivalente quem recebeu, pelo menos, duas doses de monovalentes (CoronaVac, Astrazeneca ou Pfizer) no esquema primário ou reforço. A dose mais recente deve ter sido tomada há quatro meses. As prefeituras ainda deverão organizar esquemas para receber o maior número de pessoas com direito à bivalente.