[[legacy_image_212618]] A sequência de chuvas que atingiu as cidades da Baixada Santista nesta semana acendeu o alerta para a prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, que se prolifera em água parada e transmite dengue, chikungunya e zika. O número de casos na região registrou queda expressiva de 2021 para 2022, e as prefeituras se mobilizam para que os números evoluam ainda mais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entre janeiro e agosto de 2021, oito cidades da Baixada registraram 15.548 casos de dengue, além de 10 mortes. O surto também se estendeu a chikungunya, doença com 11.051 infectados e sete óbitos no período. No mesmo intervalo de 2022, foram 621 casos de dengue e 225 de chikungunya, sem mortes. Não houve notificações de zika nos dois anos. As quedas foram de 96% e 97,9%, respectivamente. Em Guarujá, de janeiro a julho do ano passado, houve 1.963 casos de dengue, com uma morte, e outros 3.684 de chikungunya. Um ano depois, as notificações caíram para 48 e 25. Chuvas e água paradaAs três doenças são transmitidas pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, que se prolifera em pontos de água parada. São comuns tampinhas de garrafa, pneus, vasos de planta, garrafas plásticas, entre outros itens, sendo vistos com acúmulo de água. Ao longo da semana, a média de chuvas chegou a quase 60 mm em seis cidades da Baixada Santista no período de 72h. As chuvas não foram intensas, mas de longa duração. Elas provocaram alagamentos em São Vicente e Bertioga e deixaram os morros de Santos em estado de atenção. Em Guarujá, houve um pequeno deslizamento de terra no Morro da Cachoeira. Segundo a Prefeitura, o incidente não deixou feridos, nem desabrigados ou residências atingidas. PrevençãoA infectologista Elisabeth Dotti destaca que o Aedes aegypti costuma ter um ciclo de proliferação que envolve a presença de chuvas e uma seguinte onda de calor, o qual a população precisa estar atenta. "O mais importante é a prevenção. Quando a gente estava no meio da pandemia, de 2020 para 2021, tivemos aquele surto horroroso (de dengue e chikungunya). Aquele serviço dos agentes de saúde de ir nas casas e orientar não foi feito por motivos óbvios. De 2021 pra 2022, teve uma maciça campanha e deu super certo", comenta Elisabeth, ao analisar a queda de casos. A médica cita ainda que as três doenças transmitidas pelo Aedes aegypti começam apresentando sintomas como febre e dores no corpo, mas ambas têm perfis diferentes. "A dengue você pode ter a clássica e a hemorrágica, com a hemorrágica podendo levar à morte. A chikungunya não mata, mas deixa você com dor articular e muscular por meses. Antigamente eram 6 meses, no máximo, e hoje estamos vendo casos de 1 ano, 1 ano e meio de dor. A zika é aquele estrago pra gestante, onde a criança fatalmente vai ter a microcefalia". AçõesA visita de agentes de saúde a domicílios e estabelecimentos com potencial de acumular água parada, como ferros-velhos e borracharias, é uma das principais ações de combate ao Aedes aegypti citadas pelas prefeituras. Além de identificar possíveis focos do mosquito, os profissionais atuam na orientação dos munícipes. A Prefeitura de Santos destaca, entre as ações, a presença de 481 armadilhas espalhadas pela cidade, sendo 39 na área do Porto, para atrair as fêmeas do mosquito, onde elas ficam presas e morrem. Os resultados obtidos com as armadilhas também podem ser considerados na hora de decidir qual bairro receberá o próximo mutirão. Em Praia Grande, ocorre ainda a soltura de peixes da espécie Lebiste em locais com água parada. Esses peixes comem as larvas e ovos do Aedes aegypti e outros mosquitos.