[[legacy_image_248527]] A chuva que castigou o Litoral de São Paulo no último final de semana, deixando ao menos 40 mortos e 40 pessoas desaparecidas em São Sebastião e Ubatuba, além de colocar em estado de calamidade pública seis cidades (Guarujá, Bertioga, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba), foi a maior já registrada em um período de 24 horas no Brasil, com 683 milímetros (mm) – índice verificado em Bertioga, na Baixada Santista. A maior tempestade computada até aqui pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) foi em Petrópolis (RJ), em 2022, com 534,4 mm em um dia. A maioria dos pluviômetros do órgão federal foi instalada há dez anos. Já em outro banco de dados, o do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o recorde era de Florianópolis (SC), em 1991, com 404,8 mm em 24 horas. Essa combinação de fatores torna a chuva de sábado e domingo uma das maiores tragédias da história de São Paulo. Até a noite de ontem, eram mais de 1.730 desalojados e 766 desabrigados. São Sebastião foi um dos municípios mais afetados neste feriado prolongado de Carnaval. O número de mortos já supera a tragédia de Franco da Rocha, em 2022, quando um deslizamento matou 18 pessoas. O acumulado de chuva na ocasião foi de 70 mm em 24 horas. Em número de vítimas fatais, a maior tragédia da história paulista ocorreu em 18 de março de 1967, em Caraguatatuba, quando as fortes chuvas causaram o desmoronamento de encostas e centenas de casas foram soterradas. Segundo a contagem feita na época, 487 pessoas morreram, mas estima-se que o número de óbitos tenha sido muito maior. No fim de semana, além dos 683 mm computados em Bertioga, o Cemaden registrou 626 mm em São Sebastião, 337 mm em Ilhabela, 335 mm em Ubatuba e 234 mm em Caraguatatuba. Ao g1, o coordenador geral de operações e modelagens do Cemaden, Marcelo Seluchi, ressaltou que a maior parte do volume que caiu sobre o Litoral Norte foi registrado em 12 horas, e não em 24 horas, o que ajuda a explicar o tamanho da tragédia. MobilizaçãoNão à toa, diversas autoridades se dirigiram ao Litoral Paulista em pleno Carnaval para acompanhar os trabalhos de resgate de sobreviventes, a busca por desaparecidos e o atendimento. Enquanto a ministra de Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, acompanhou os trabalhos em Guarujá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e nove ministros foram a São Sebastião. No Litoral Norte, Lula disse que a União irá trabalhar na construção de casas para atender quem perdeu a moradia em razão da catástrofe. O petista, que estava em dias de folga na Bahia, foi a São Sebastião com seus ministros e se reuniu junto dos auxiliares, durante a manhã, com o governador paulista e o prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB). Em pronunciamento no começo da tarde, Lula destacou em mais de um momento a união entre os governos, cenário que, em sua avaliação, não era visto “há muito tempo”. “Queria mostrar a vocês uma cena que há muito tempo vocês não viam: um governador, um presidente e um prefeito sentados numa mesa em função de algo comum que atinge a todos nós. Isso dá demonstração de que é possível exercer nossa função na democracia mesmo quando temos partidos diferentes”. O presidente chegou a pedir que Freitas, apoiado por Jair Bolsonaro (PL) durante as eleições de 2022, se aproximasse dele durante seu pronunciamento. “Essa parceria é uma fotografia boa para nosso País. Que coisa bonita e simples, nós estamos juntos, acabou a eleição”, disse Lula, que pediu orações pelas vítimas e para que São Sebastião não receba mais chuvas. De acordo com Lula, São Sebastião terá o auxílio do Governo Federal para a reconstrução de casas. O petista pediu que o prefeito localize um terreno “seguro” para que essas moradias possam ser erguidas à população que perdeu tudo. Lula foi a São Sebastião com os ministros Rui Costa (Casa Civil), Renan Filho (Transportes), Ana Moser (Esporte), Waldez Goes (Integração e Desenvolvimento Regional), Jader Filho (Cidades), Marcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Paulo Pimenta (Secretaria de Comunicação Social) e Márcio França (Portos e Aeroportos).