[[legacy_image_213183]] A facilidade de comunicação pela internet possibilitou com que pessoas distantes se aproximassem e mantivessem contato. Por aplicativos de mensagens, redes sociais ou até mesmo e-mails, as possibilidades são diversas. Mas a tecnologia também facilitou o chamado estelionato sentimental. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Se tornaram comuns casos como o da idosa que deu R\$ 200 mil para um golpista que usava perfil falso e se apresentava como o ator Johnny Deep, o de uma senhora que acreditava se relacionar com o vocalista da banda Coldplay, Chris Martin, e o do homem que passou 15 anos acreditando que namorava virtualmente com a modelo Alessandra Ambrosio. Todos esses casos têm um fator em comum: a carência. Os golpistas se aproveitam de uma abertura passional da vítima para criar situações de necessidade, fazendo com que quantidades de dinheiro sejam transferidas deliberadamente. É o estelionato sentimental. O especialista em Direito Digital e presidente da Comissão de Direito Digital da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santos, Mateus Catalani Pirani, afirmou que há uma padronização a se atentar em casos como estes. “Tem uma série de providências que precisamos tomar para identificar se é ou não é um perfil falso”, diz. “A primeira coisa que a gente precisa verificar é o próprio perfil da pessoa na rede social onde ela se encontra. Existem formas de identificar isso. Um exemplo é há quanto tempo que esse perfil existe. Às vezes, é uma conta que foi criada nos últimos dois, três dias e parece que é antiga”, explica. O profissional afirmou que o estelionatário não é uma pessoa qualquer. É uma pessoa com aptidão em enganar pessoas e, nesse caso, ele utiliza como ferramenta de enganação o sentimento alheio, fazendo com que a vítima seja induzida ao erro com base na confiança pré-estabelecida. “Outros elementos que a gente pode constatar é se a pessoa que tem muitas pessoas seguindo ela. Normalmente isso se dá por meio da compra de seguidores e a pessoa tem vários seguidores, mas ela mesmo não tem pessoas muito próximas”, afirma. Ele reforçou que há necessidade de conferir o perfil dos seguidores de alguém antes de dar brecha para um possível relacionamento ou amizade com uma pessoa que não conhece. Caso tenha muitos perfis estrangeiros, pode ser sinal de compra de seguidores e de se tratar de uma conta falsa. “O golpista também sempre vai ter alguma conversa, algum ponto em comum. A pessoa normalmente vai começar a vasculhar o seu perfil e verificar o que você gosta de fazer para ter uma sintonia muito grande”, informa. Outro ponto a se atentar, é o uso excessivo de hashtags nas publicações. Segundo o especialista, as tags são utilizadas para que o algoritmo mostre aquela conta para pessoas que tenham assuntos em comum. “Tem toda uma engenharia social que está sendo construída para pegar uma vítima”, comenta. “Quando a primeira janela de valores é vazada, se eu consigo tirar de você alguma coisa, as pressões vão aumentar, sempre vai ter uma desculpa de uma necessidade e a pessoa já acaba ficando em um cenário muito imersivo, fica difícil recuperar isso”, alerta. O ato de se relacionar amorosamente com uma pessoa através de um perfil falso é chamado popularmente de ‘catfish’. O termo simboliza o ato de pessoas mal-intencionadas que criam um ou mais perfis falsos para enganar usuários sentimentalmente e até mesmo financeiramente. “A vítima e o golpista sempre vão ter muitos pontos em comum e vai parecer que seja uma coincidência os assuntos ali tratados, essa é a intenção. Nesses pequenos sinais que a gente já identifica, mas quando a pessoa está envolvida em um relacionamento, costuma ter um bloqueio mental e acaba deixando esses sinais passarem despercebidos”, conta. O especialista explicou que, uma vez que isso aconteça, é necessário tentar produzir o maior número de provas digitais possíveis. Fazer com que tudo seja documentado. “A gente precisa tomar a nota do link, fazer captura de tela e providenciar imediatamente um boletim de ocorrência”, cita. Um cuidado redobrado deve ser tomado ao notar sinal de golpe: reler todas mensagens para verificar todas informações que foram compartilhadas. “Para que você possa redefinir absolutamente tudo. Para a partir disso, começar a entrar em contato com as próprias plataformas para fazer a denúncia de um perfil fake”, aconselha. “Às vezes, ao identificar a parte já vai ser tarde demais porque o dano material já foi configurado. O ressarcimento se torna um pouco mais complicado, porque às vezes a pessoa é uma pessoa ilíquida, então ela já usa do dinheiro imediatamente”, explica. O profissional garante que hoje em dia há possibilidade de encontrar a pessoa por trás do perfil falso. Com os dados fornecidos, a polícia fará uma investigação para levantar se consegue rastrear a pessoa e depois tentar recuperar os valores perdidos. “A gente costuma cruzar as informações para tentar identificar de onde aquela conexão surgiu por meio do IP. Aí começamos a aproximar um pouco mais o agressor da vítima. A gente consegue identificar um pouco melhor quem é o ser humano por trás daquela conexão realizada”, conclui.