[[legacy_image_213513]] Os candidatos a governador que disputam o segundo turno, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), têm visões divergentes sobre as saídas para melhorar o sistema de travessia de balsas no Litoral paulista. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Uma das ideias defendidas pelo atual chefe do Executivo, Rodrigo Garcia (PSDB), é a privatização desse serviço. O petista afirma ser contra essa medida, enquanto o ex-ministro da Infraestrutura do Governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) acredita que essa pode ser uma alternativa. “A privatização do serviço pode ser uma opção, desde que o valor das tarifas seja justo, com uma prestação de serviço de qualidade e, o mais importante, sem penalizar ainda mais o usuários”, justifica Freitas. Ele entende que a travessia de balsas entre Santos e Guarujá tem deixado a desejar há muito tempo, punindo os trabalhadores que dependem desse transporte diariamente ou prejudicando o turismo, principalmente, na alta temporada. “É um problema antigo e que só será completamente sanado com a entrada em operação do túnel, que se tornará uma realidade a partir da desestatização do Porto de Santos. Um projeto do Governo Federal de extrema importância para a mobilidade urbana da região”, declara. Enquanto não sai do papel essa obra, que não interferiria no tráfego de navios e promete resolver um dos gargalos da mobilidade da região, o candidato do Republicanos defende o aumento do número de embarcações à disposição para as operações, sempre de acordo com a demanda, para que seja possível dar uma resposta imediata aos usuários. [[legacy_image_213514]] PrejuízosEx-prefeito de São Paulo, Haddad foi enfático ao se manifestar contra a privatização do sistema de travessia de balsas. “Isso faria com que a vocação produtiva da região e a vida das pessoas da região dependessem apenas do que o setor privado quer, podendo prejudicar setores econômicos inteiros em virtude do lucro de uma única empresa.” Para o postulante ao Palácio dos Bandeirantes pelo PT, é possível aperfeiçoar o serviço prestado à população. “O que o governador precisa é, verdadeiramente, se dedicar ao tema e trabalhar com todas as possibilidades de aperfeiçoamento do que é oferecido hoje”, destaca ele, que foi ministro da Educação nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (ambos do PT). O petista entende que as pessoas têm o direito de se locomover com qualidade, segurança e respeito. Por isso, vê como prioritário construir a ligação seca Santos-Guarujá, com menores custos ambiental e orçamentário, e que a obra seja entregue mais depressa. “Vamos ouvir as prefeituras, os moradores da região, a Autoridade Portuária e os trabalhadores do Porto para traçar novos planos de transporte e mobilidade para essa região, esquecida nos últimos quatro anos”, diz. [[legacy_image_213515]] Mais carosAs prefeituras defendem melhorias no serviço de travessia de balsas e manifestam preocupação com o possível aumento do preço da tarifa, caso ele seja privatizado. Em fevereiro, o Estado suspendeu o edital de concessão após críticas dos prefeitos de Guarujá, Válter Suman, e Santos, Rogério Santos (ambos do PSDB). A correção da tarifa em cerca de 50%, além dos reajustes anuais, e a possibilidade de elevação dela em até 50% aos finais de semana e feriados preocuparam governantes. A prefeita de Praia Grande e presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), Raquel Chini (PSDB), afirma que o setor precisa de investimentos e que a manutenção corretiva tem sido demora após qualquer intempérie. “O Poder Público cumpre uma série de etapas legais para a contratação de serviços e equipamentos. Com isso, a privatização traria mais celeridade a esse processo. Porém, é necessário ressaltar que essa questão não pode afetar de forma impactante o preço repassado ao público”, alerta. Ampliar ofertaRaquel analisa que é preciso aumentar a oferta de embarcações, reduzir o tempo de travessia para pedestres e veículos motorizados e melhorar a segurança no transporte de quem utiliza o sistema, principalmente as catraias. Suman não vê problemas na privatização do serviço, desde que traga sensível melhora nos serviços prestados e não onere os usuários. Na avaliação dele, novos equipamentos e melhorias poderiam ser feitas imediatamente. Afinal, o período da temporada de verão se aproxima. A Prefeitura de Santos informa, por nota, que acompanha o processo de privatização do sistema de travessia de balsas e que defende “a garantia de uma ligação mais eficaz, mas sem causar impacto negativo aos usuários”. [[legacy_image_213516]] Outros meiosA Tribuna também questionou os candidatos sobre seus planos para ampliar o transporte hidroviário de passageiros na Baixada, pouco explorado. Tarcísio Gomes de Freitas cita que já teve conhecimento de um projeto nesse sentido, feito por técnicos do setor. “Até já conseguiram um apoio de um fundo específico da Marinha. Vamos tirar essa iniciativa do papel, que vai integrar todos os modais em benefício da população da Baixada Santista.” Fernando Haddad destaca que é preciso trabalhar e valorizar esse tipo de transporte, sanando carências em estradas, portos, aeroportos, hidrovias e ferrovias, por exemplo. “Vamos incentivar o surgimento de ideias práticas (...). Para isso, também contaremos com o apoio das universidades, já que desses locais podem surgir modelos e respostas que podem servir de exemplo para todo o País”, pensa. Embarcações menoresA prefeita de Praia Grande e presidente do Condesb, Raquel Chini (PSDB), acredita que as discussões sobre transporte hidroviário de passageiros nos debates promovidos pelo colegiado e pela Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem) não avançaram mais porque sempre foram considerados barcos de tamanhos que não condizem com a realidade local. Para a chefe do Executivo, se a região começar essa empreitada com barcos muito grandes, como os que têm capacidade para 250 passageiros, será muito mais difícil colocá-la em prática, devido à dificuldade de atracá-los e ao calado dos rios. “Acredito que embarcações menores seriam algo muito mais interessante para se considerar neste momento e, quem sabe, poderiam ser o início de um sistema de transporte hidroviário integrado com os demais modais da região”, frisa a prefeita.