[[legacy_image_120127]] A não realização de exames de rotina por mais de um ano pode ser fatal no caso do câncer de próstata. Segundo urologistas, a pandemia fez os homens reduzirem a prevenção e há cada vez mais tumores em estágio avançado sendo diagnosticados. A cura, nesses casos, fica bem mais difícil do que quando o problema é detectado no início. O alerta chega junto com o Novembro Azul, mês de conscientização sobre os cuidados com a saúde masculina. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Houve diminuição grande na procura por exames. Em relação à biópsia de próstata, essencial para o diagnóstico do câncer, dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que em 2019 foram 40.408 biópsias, em 2020 o número caiu para 31.888 e em 2021, até agosto, foram 21 mil”, explica o urologista André Luiz Farinhas Tomé. Segundo Tomé, as consultas também diminuíram. “A pandemia atrapalhou muito. Pacientes que poderiam ter tido diagnóstico precoce acabaram, por causa dessa interrupção no acompanhamento, apresentando manifestações mais severas”. O urologista Maurício Bestane também confirma que a pandemia teve redução significativa na prevenção. “Houve um hiato de vigilância de muitos pacientes que ficaram até dois anos e meio sem aparecer no consultório. Isso acaba interferindo nos diagnósticos e trará um aumento no número de casos que não foram descobertos nesse período”. Muitos casosO médico urologista Mohamad Dib Salah Ali explica que o tumor de próstata é o segundo mais comum entre os homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. “Se diagnosticado nas fases iniciais, a chance de cura é superior a 90% e geralmente é assintomático. Quando a pessoa já apresenta sintomas, na maioria dos casos está numa fase mais avançada”. Segundo Mohamad, o principal fator de risco é a idade. A incidência aumenta com o passar dos anos e a média de diagnóstico é aos 70 anos. Pessoas negras têm mais chances de desenvolver a doença. “Outro fator importante é a hereditariedade, se você tem um parente de primeiro grau com câncer de próstata, tem duas vezes mais chances de ter”. DiagnósticoA partir dos 50 anos de idade, exames anuais de sangue (PSA) e toque retal são obrigatórios. “Se um ou os dois estiveram alterados, torna-se necessária a biópsia de próstata, onde são retirados fragmentos e analisados para diagnóstico ou não. Feita a confirmação, mensuramos a gravidade e extensão da doença para determinar o melhor tratamento”, explica Mohamad. Tomé diz que o toque retal é muito importante e não pode ser descartado. “Continua sendo essencial e o preconceito tem diminuído ao longo do tempo. A divulgação das informações pela mídia tem ajudado na quebra desse tabu”. Bestane destaca que um avanço no diagnóstico é a ressonância magnética multiparamétrica da próstata, que ajuda nos casos em que há suspeita de câncer. “Existem áreas que no toque você não consegue sentir e o exame pode mostrar”. TratamentoA cirurgia por videolaparoscopia (com auxílio de câmera por meio de pequenos cortes) ainda é utilizada no tratamento para remover o câncer, mas o procedimento por robótica traz melhores resultados e recuperação mais rápida. “Na maioria dos casos fazemos por robótica, o que nos permitiu um grande avanço. Tem um sangramento menor, recuperação mais rápida e os índices de incontinência urinária e disfunção erétil são menores”, afirma Bestane.