[[legacy_image_298035]] Uma onda de ‘calor histórico’ se aproxima do estado de São Paulo. A Defesa Civil divulgou na tarde desta segunda-feira (18) a previsão de uma temperatura recorde acima da média histórica na Capital e o Instituto Climatempo descreveu esse fim de inverno como um período de ‘forte onda de calor’ para os próximos dias. Por conta disso, surge a dúvida: esse calor chega na Baixada Santista? De acordo com a meteorologista da Ampere, Heloísa Pereira, a Baixada Santista não terá ondas extremas de calor nos próximos dias, ficando dentro de uma média de 30ºC a 32ºC. O pico de temperaturas elevadas na região deve acontecer no sábado (23), mas o termômetro pode voltar a subir entre a próxima terça (26) e quarta-feira (27). “Aqui, na Baixada Santista, a gente não vai seguir a mesma regra das áreas centrais do Brasil. Estamos sendo privilegiados. Terá um tempo abafado, sem dúvida, e uma máxima que bate a casa dos 31ºC. É uma condição ruim, mas a gente vai ter picos muito maiores em outras regiões. Apesar do calorão do tempo abafado, o oceano é um regulador térmico”, comenta. A especialista explica que o novo pico de calor, previsto para o começo da próxima semana, representa a chegada de uma frente fria na Baixada Santista. Segundo a Heloísa, o período que antecede essa frente fria será de clima abafado e quente, podendo ultrapassar 30ºC. Heloísa informa que, há alguns meses, modelos meteorológicos já apontavam que em boa parte do País, inclusive na Baixada Santista, o início da primavera seria acima da média histórica, registrando entre 2 a 3ºC acima do esperado. Apesar da estação começar oficialmente na sexta-feira (22), a especialista diz que a primavera meteorológica já está em andamento desde o começo do mês. “Nos meses de setembro e outubro, já era algo que os modelos estavam apontando. Não é apenas por conta do ‘El Niño’ (fenômeno climático do aumento da temperatura nas águas do Oceano Pacífico Equatorial que favorece os dias quentes), o Atlântico Norte também com um aquecimento bem expressivo. Os oceanos que nos cercam, na faixa equatorial, estão com temperaturas acima da normalidade, então é um combustível para que isso aconteça”, informa. Fora essas condições, a especialista também comenta que, nos próximos dias, terá um bloqueio no Pacífico Sul e uma alta pressão em cima do Brasil. Esse sistema manterá o tempo seco, a camada atmosférica com pouca nebulosidade e bastante calor, afinal faz com que tenha espaço para a radiação passar e aquecer a superfície. Primavera quenteO fenômeno ‘El Niño’ está previsto para durar toda a primavera, continuar pelo verão e a, segundo a meteorologista, ele só vai terminar entre março e maio de 2024. “A gente vai ter temperatura acima da média, mas não significa que a gente não vai ter nenhuma variabilidade”. Heloísa cita que, no final de outubro e no decorrer de novembro, um período de chuva começará no Sudeste e chegará uma frente fria acompanhada de outras instabilidades. É esperado que o calor tenha picos. “Os maiores recordes de temperatura, muitas vezes, são batidos na primavera, quando a atmosfera ainda está um pouco mais seca e a radiação está chegando com bastante intensidade”. A transição da primavera para o verão será de bastante chuva, porém dezembro será com chuva abaixo da média. Heloísa explica que, neste período, as temperaturas continuam elevadas, até acima da média. Verão: chove ou não?Ainda segundo a especialista, no mês de dezembro a temperatura ficará acima da média e chuva abaixo do esperado na Baixada Santista. “Tende a ser um mês bem quente e com chuvas abaixo da média, mas a média é alta. Ainda assim, tem bastante chuva para cair e, em janeiro, os modelos estão mostrando que as áreas centrais do Brasil voltam a ficar com chuva acima da média”. Janeiro será o mês mais chuvoso do verão, marcado por dias consecutivos com chuva, chegada de frente fria e de canal de umidade na Baixada Santista. Em contrapartida, os meses seguintes, de fevereiro e março, estão com indicadores de chuvas abaixo da média. “No saldo final, o verão tende a ser mais quente do que a média e com menos chuva do que a normalidade”. ‘Culpa do homem’A especialista também ressalta que, dentro da comunidade acadêmica e nas pesquisas, é debatido que esse nível de aquecimento, de várias ondas de calor marinhas juntas, não existiria se não houvesse tanta poluição nos oceanos, que absorvem carbono em grande quantidade. “A composição química dos oceanos foi alterada e tem algumas áreas, como no Atlântico Norte, que tem pesquisa acadêmica comentando que, pela mudança verificada nos recifes de corais e nas correntes oceânicas, você tem um aquecimento nunca visto antes na história e que tem previsão para predominar”, reforça. Esse impacto humano nos oceanos fará com que, em geral, nos próximos anos haja cada vez mais aquecimento do que ciclos de resfriamento. “A gente pode atribuir o cenário médio global à mudança climática que está acontecendo de um aquecimento global em andamento”. “É inegável a interferência humana no sistema climático. Então não tem como você explicar o estado atual dos oceanos e da atmosfera sem colocar, para um modelo de previsão de projeção climática, a influência do homem, a revolução industrial e a liberação de gases de efeito estufa”, conclui. Defesa Civil EstadualA Defesa Civil prevê temperatura recorde para o Estado de São Paulo nesta semana. A capital paulista deve registrar média histórica desde 2014 e os termômetros podem registrar recorde com a média histórica de 37,1ºC, neste sábado (30), de acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Haverá uma queda significativa nos índices de umidade presente no ar, para as Regiões Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba, Vale do Ribeira, Região de Itapeva e Litoral Norte, Regiões de Campinas, Sorocaba, Bauru, Araraquara, Presidente Prudente, Marília, Ribeirão Preto, Franca, Barretos, Araçatuba e São José do Rio Preto. De acordo com a Defesa Civil, os índices de ‘Umidade Relativa do Ar’ devem ficar abaixo de 30%. Por isso, recomenda que todos se hidratem, bebam bastante água e se protejam do sol.