[[legacy_image_241047]] Um bebê de 1 ano e 7 meses ficou gravemente ferido após ser atacado pelo cachorro da babá em São Vicente. Théo Lemos dos Santos Sousa está internado na Santa Casa de Santos desde o acidente que aconteceu na última quarta-feira (18), pois precisou passar por uma cirurgia no rosto e na orelha. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A mãe Kawany Santos da Silva, de 21 anos, acusa o Hospital Municipal de São Vicente – onde a criança teve o primeiro atendimento - de negligência e conta que a família está fazendo rifas para arcar com os custos da Santa Casa, já que o bebê precisou dar entrada de forma particular. A estudante de enfermagem e cuidadora de idosos relata que costumava deixar o menino na casa da babá para estudar. “Eu tinha acabado de entregá-lo. Quando virei a rua, ela (a babá) veio correndo gritando: ‘O Rabito (que é o cachorro) atacou o Théo’. Ela ficou desesperada”. Apesar de ser orientada a cobrar os valores do tratamento para a babá, Kawany diz que a profissional não é a culpada. “Foi uma fatalidade e ela não teria condições financeiras, assim como eu não tenho”. De acordo com a mãe do bebê, o ataque do cão - que é uma mistura das raças labrador com pastor alemão – aconteceu por volta das 17h30 no Centro da cidade, próximo da casa da família, que mora perto da babá. “Estou acostumada a ver no estágio, mas quando é nosso filho é diferente. Foi desesperador. Eu fiquei cega, não sei explicar, não sei se peguei meu filho do chão ou do colo de alguém. Só sei que peguei”, relembra Kawany, dizendo que bem neste momento, uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) passava pelo local para outra ocorrência. “A gente implorou atendimento e eles deram assistência”. Apesar de ser contra a vontade da estudante de enfermagem, a família foi levada ao Hospital Municipal. “Eu já sabia da realidade de lá”. No local, a criança foi encaminhada para o setor de pediatria, onde recebeu a vacina contra a raiva. “Porque o cachorro não tinha sido vacina neste ano”, explica. Porém, a equipe médica alertou Kawany de que apenas faria a sutura necessária no lado direito do rosto e na orelha de Théo, pois a unidade não tinha profissionais suficientes para a cirurgia necessária. Desta forma, a cuidadora de idosos acreditou que seria levada a Santa Casa pelo Samu. “Mas ela (médica) falou: ‘não, vocês vão por meios próprios’”. Para isso, porém, Kawany precisou assinar uma autorização. “Foi como se eu estivesse fugindo do hospital. Mas na hora do desespero em resolver a situação do meu filho, assinei”, relembra, dizendo que chamou um motorista por aplicativo até a Santa Casa de Santos, para onde foi acompanhada da mãe da babá. Théo foi bem recebido no hospital em Santos e passou pela cirurgia corretiva e plástica, porém, a família pagou mais de R\$ 6 mil na cirurgia e não possui recursos suficientes para arcar com os demais custos na unidade de saúde. O paciente também não pode ser transferido para o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) da unidade, já que deu entrada como particular. “Só de diária gira em torno de R\$ 900. A gente vai ficar internado de sete a 14 dias por conta dos antibióticos”, explica a mãe, que realiza uma vaquinha e rifas no Instagrampara manter o menino aos cuidados médicos e evitar que o quadro estável se transforme. RespostasQuestionada por A Tribuna, a Santa Casa de Santos informou que o paciente deu entrada de forma particular e “uma vez que a entrada de qualquer paciente seja feita nesta condição, a instituição fica impossibilitada de realizar a transferência para o SUS, pois esta ação o colocaria na frente de outros pacientes que estão nas UPAs aguardando transferência para o hospital”. Além disso, a unidade ainda ressaltou que o paciente permanece recebendo todo o suporte clínico, “em uso de antibioticoterapia e com programação de exames laboratoriais”. Em nota, a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria da Saúde, confirmou a entrada do paciente no Hospital Municipal apresentando ferimentos no rosto. Segundo a Administração Municipal, a criança foi acolhida e atendida pela pediatra de plantão que, devido à complexidade do caso, solicitou avaliação do bucomaxilo. "Após exame do especialista, a mãe recusou prosseguir com o atendimento, assinou o relatório médico oficializando sua decisão, e informou que iria para Santa Casa de Santos. Como a responsável não quis dar sequência ao atendimento, não foi solicitada vaga para a criança na Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross)", diz a nota. No entanto, a Secretaria de Saúde garantiu que está instaurando sindicância para apurar os fatos.