[[legacy_image_72084]] O ano começou trazendo o melhor presente que a família do pequeno Enrico Fonseca Rocha, de seis meses, poderia ganhar. Diagnosticado com imunodeficiência combinada grave (SCID), o bebê, que vive em Santos, conseguiu um doador de medula compatível e fará o transplante no começo de fevereiro. O drama da família foi contado por ATribuna.com.br em novembro do ano passado. A doença é rara e o deixa sem imunidade, fazendo com que um simples resfriado possa ser fatal. “Estamos comemorando muito. Depois de tanta luta, meu filho está na melhor fase, forte e sem infecções. O cenário é ideal para o transplante”, diz o pai, Diogo de Almeida Rocha, de 35 anos. O anjo que salvará Enrico é norte-americano e está passando por uma bateria de exames. “A medula saudável virá de avião para o Brasil", explica. Após o transplante, ainda serão mais seis meses no hospital. E, se Enrico for reagindo bem, as visitas ao médico passarão para uma vez por semana, uma vez ao mês até chegar a apenas uma vez ao ano. Ajuda Como a família ainda paga do próprio bolso exames e remédios (já que o plano não cobre), além de uma moradia em São Paulo e transporte para a Baixada Santista, eles pede ajuda com qualquer valor. “Tivemos de alugar um espaço perto do hospital, pois ele ficará aqui depois do transplante. Então, as despesas subiram demais”, desabafa Diogo. [[legacy_image_72085]] No caso de Enrico, foram meses de incertezas, desespero e muita angústia. A família levou o bebê a diversos hospitais até que o diagnóstico viesse. De Porto Alegre (RS), o menino veio com a família quando tinha quase um mês para conhecer os parentes de Santos. Foi quando seu quadro de saúde piorou. “Ele parecia resfriado e tinha diarreia, além de vomitar sempre que mamava. Vários médicos disseram que isso era normal”, explica o pai. Bronquiolite, sarampo, bactéria no sangue e intolerância ao leite materno foram alguns diagnósticos. “Em Santos, ele recebeu sete diagnósticos. Sempre aparecia algo novo. Até dizerem que a saída seria levá-lo para São Paulo, mas ele também precisou ganhar peso para ser transferido”. A doença Segundo o pediatra especialista em imunologia Pedro Cavalcanti, nas crianças com imunodeficiência combinada grave, o sistema imunológico praticamente não fornece proteção contra bactérias, vírus e fungos. “Isso quer dizer que elas terão, na prática, infecções repetidas e persistentes. Algumas mais simples, outras nem tanto. Então, é comum que esses bebês vivam em local seguro e protegido, livre de infecções”. O maior problema, segundo o médico, é que a doença pode ser fatal se não for cuidada adequadamente. “As crianças não se desenvolvem adequadamente e a pele delas pode parecer que está descascando. Quem não recebe tratamento morre antes de chegar a 1 ano”.