[[legacy_image_63157]] O estado de São Paulo tem confirmados 25 casos da variante brasileira do novo coronavírus e outros sete da linhagem britânica da doença. Além disso, ainda sobre a cepa originária do Reino Unido, há dois casos suspeitos registrados na Baixada Santista, em Santos e Peruíbe. Eles estão em fase de sequenciamento para confirmação ou não da variante britânica. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Especialistas alertam que as variações do vírus exigem maior cuidado da população em relação ao uso de máscara e distanciamento social, principalmente porque o ritmo de vacinação ainda é lento. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a variante de Manaus foi confirmada em 12 casos de Araraquara, nove na Capital, três em Jaú e um em Águas de Lindóia. Há ainda sete confirmações da linhagem britânica: duas em Sorocaba e cinco na Capital. De acordo com o pesquisador José Eduardo Levi, do Laboratório de Virologia do Instituto de Medicina Tropical da USP (IMT- FMUSP), um caso identificado em Santos e outro em Peruíbe estão sendo sequenciados para confirmar ou não a suspeita da cepa britânica. Levi, que também atua no laboratório Dasa e esteve envolvido na identificação dos primeiros casos da cepa inglesa, conta que lá os casos foram identificados e que agora eles passam por um sequenciamento genético no IMT. As duas instituições vêm trabalhando na identificação de variantes do novo coronavírus. Nos casos da Baixada, o objetivo é confirmar as mutações características da linhagem britânica. O pesquisador explica que existem inúmeras variações pelo mundo. Porém, três são classificadas como preocupantes: a britânica, a brasileira (também chamada de amazônica) e a sul-africana. “Essas variantes apresentam diversas mutações, a maioria significa apenas a mudança de uma letrinha entre as cerca de 30 mil do DNA do coronavírus”. Porém, no caso das três citadas por Levi, as mutações alteram de forma importante a estrutura que liga o vírus ao organismo, comumente chamada de espícula. Isso dá a essas três linhagens a principal característica identificada até agora: maior transmissibilidade. Sabe-se também, conforme o pesquisador, que a variante sul-africana induz a uma resposta imunológica que pode representar maior possibilidade de reinfecção. E, ao que parece, a cepa amazônica comporta-se de forma parecida. “Ainda não há muitas comprovações sobre letalidade ou agressividade sobre a variante de Manaus. A variante apareceu lá, mas não há um rigor de pesquisa, principalmente em uma localidade onde faltou oxigênio”, pontua o pesquisador. Porém, relatos dão conta de que os mais jovens têm risco de maiores complicações. Para Levi, é preciso reforçar os protocolos de higiene e acelerar a vacinação. Mesmo que, a princípio, os primeiros estudos indiquem que as principais vacinas utilizadas no mundo, e em especial as utilizadas no Brasil, possam ter redução de eficácia diante dessas variantes, uma imunização em massa teria impacto. “Porque se você vacina muita gente, fica mais difícil a doença se espalhar”. Pensando na dificuldade que a variante amazônica pode representar, Levi considera que imunizar todo o Amazonas poderia ser uma estratégia importante. Essa hipótese, aliás, já está sendo estudada pelo Ministério da Saúde, que já sinalizou que irá alterar o esquema de vacinação local.