[[legacy_image_22563]] A Baixada Santista figura na lista das regiões com mais mortes por raios no País, entre 2000 e 2019, de acordo com pesquisa realizada do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram 26 vítimas fatais no período de duas décadas, número superior ao registrado em oito estados e no Distrito Federal. >> Confira estatísticas e formas de prevenção aos raios Líder em ocorrências, o Estado de São Paulo registrou 327 mortes em 20 anos. Ao destacar a cidade de São Paulo, com 30 vítimas fatais e para uma população de 12,1 milhões, o coordenador do Elat, Osmar Pinto Junior, ressalta a importância dos números atestados na Baixada Santista, com 26 casos para uma população bem menor: 1,8 milhão. “É um número muito relevante. Um fator que deve pesar muito nesse aspecto é que as pessoas vão à praia e ficam mais expostas, ao ar livre e na beira do mar. Você vê que a maioria das fatalidades ocorre ali. Apesar de menos habitantes, o risco na Baixada Santista é maior pela forma como as pessoas vivem e os costumes”, pondera. Entre as 26 mortes registradas nas últimas duas décadas, sete ocorreram em Praia Grande, cinco foram em Guarujá, quatro em Santos, outras quatro em Bertioga, três em Itanhaém, duas em Cubatão e uma em São Vicente. Duas dessas fatalidades ganharam repercussão nacional. Em janeiro de 2014, uma turista de Ribeirão Pires foi fotografada por A Tribuna no momento em que foi atingida por um raio na Praia da Enseada, em Guarujá. No final daquele mesmo ano, em dezembro, outros quatro turistas, entre eles uma grávida, foram vítimas de uma descarga elétrica no Canto do Forte. Todos eram da mesma família. Fenômeno Segundo o coordenador do Elat, os raios costumam ocorrer mais em áreas mais afastadas das regiões litorâneas. Entretanto, ele ressalta que ao comparar diferentes faixas da costa brasileira, nota-se que a Baixada Santista tem o maior número de mortes. “As águas do Oceano Atlântico tendem a ser mais quentes nessa região, o que favorece a evaporação, a umidade do ar e então a ocorrência de raios”, explica Pinto Júnior, apontando um dos motivos para esse resultado. Outro fator destacado pelo especialista são os chamados “sistemas frontais”, formados por frentes, massas de ar e outros fenômenos que avançam a partir do Sul do País e passam por essa rota. “Correndo por fora, talvez possamos citar a questão da poluição, com o grande volume de carros, indústria e o Porto. Sozinha, a poluição não é capaz de gerar uma tempestade, mas essas partículas facilitam a formação delas. Ajudam a intensificar o fenômeno”. Reflexo Por mais que não tenha dados referentes à Baixada Santista neste período de quarentena, o coordenador do Elat destaca que o número de ocorrências diminuiu. Segundo ele, a situação tem relação direta com o isolamento social e é fruto de redução da poluição. Uma outra situação percebida recentemente foi a redução de raios. Pinto Junior explica que, em anos anteriores, notava-se que metade das descargas elétricas ficava dentro das nuvens e outra metade atingia o solo. Entre o final do mês de março e o começo de abril deste ano, justamente no período que a poluição foi 20% menor em São Paulo, “apenas 4% das descargas foram para o solo”.