[[legacy_image_76198]] De janeiro a junho deste ano, os casos de chikungunya aumentaram 5.723,57% em quatro cidades da Baixada Santista, em comparação com o mesmo período do ano passado. Já o número de infectados com dengue cresceu 737,85%. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Na prática, são 123 doentes com chikungunya nos seis primeiros meses de 2020 contra 7.163 casos este ano. Com relação à dengue, são 597 doentes de janeiro a junho de 2020 contra 5.002 em 2021. As cidades que responderam à solicitação de A Tribuna foram Bertioga, Guarujá, Mongaguá e Santos. A chefe de Departamento de Vigilância e Saúde de Santos, Ana Paula Valeiros, confirma que a cidade vive um aumento assustador e alarmagente de casos de dengue e chikungunya. CONFIRA OS NÚMEROS DA DOENÇA E COMO SE PREVINIR “Foi algo totalmente inesperado esse aumento tão grande. Um agravante é termos o vetor na região, ou seja, o mosquito Aedes aegypti. Em um ano de pandemia de coronavírus, as pessoas deixaram de cuidar da própria casa, apesar de passarem mais tempo dentro dela”, explica ela. Segundo Ana Paula, a prefeitura segue realizando mutirões, bloqueios, nebulizações, casa a casa, armadilhas e visitas a imóveis especiais e pontos estratégicos. “Durante determinado período, não pudemos entrar na casa das pessoas por conta da pandemia, mas todos os demais trabalhos foram feitos. As pessoas focaram tanto em covid-19 que esqueceram que outras doenças também existem e são perigosas”. Um detalhe, segundo a chefe de Departamento de Vigilância e Saúde, novos casos são notificados dia a dia, mesmo no inverno. “As pessoas acham que a doença só existe durante o verão, mas isso não é mais verdade. Não temos mais inverno e verão determinados. A sazonalidade da doença mudou”. Santos teve 122 casos de chikungunya nos seis primeiros meses de 2020 e 5.795 em 2021. Os doentes com dengue também saltaram de 262 para 3.499 dengue no mesmo período. Adaptação Ana Paula explica que as chuvas do inverno pioram a situação e a única saída é cuidar da sua casa evitando água parada, seja limpa ou suja. “As pessoas precisam cuidar de suas casas, pois é lá que está o mosquito. Ele se esconde atrás da cortina, embaixo de um móvel. É preciso olhar para onde ele está e retirar esses criadouros, como nos ralos”. Esfregar esses locais com água e sabão e jogar uma colher de cloro ou sal fazem toda a diferença. “As larvas estão até em bueiros. Como cidade turística, O mosquito se adapta cada vez mais”, destaca Ana Paula. Pior ainda A coordenadora de Controle de Endemias de Guarujá, Ana Lúcia Gama da Cruz. afirma que os casos aumentaram, mas a situação podia ser muito pior. “A nossa projeção era de mais de 30 mil doentes com chikungunya para este verão, se não tivéssemos investido em medidas de prevenção”. A cidade registrou 1.338 casos em seis meses. “Os casos chegaram e fomos atuando com ações efetivas. Isso vai matando a quantidade de mosquitos contaminados”. Infectologistas alertam para diagnóstico de forma correta Segundo infectologistas ouvidos por A Tribuna, os casos de dengue e chikungunya também podem atrapalhar no diagnóstico de covid-19 e, por isso, a melhor maneira é realizar uma testagem. “Os sintomas podem ser muito parecidos, pois cada pessoa desenvolve a doença de um jeito diferente. Por isso, é normal acontecer uma confusão e a orientação é procurar atendimento médico e especializado para avaliação. Caso seja necessário, exames serão pedidos”, explica o infectologista Jacyr Pasternak . Ele explica ainda que o Aedes aegypti transmite quatro doenças: dengue, chikungunya, febre amarela e zika. “Em ambiente seco, os ovos conseguem resistir por até 450 dias. Por isso, a orientação é lavar bem esses locais, esfregando com água sanitária ou água e sabão”. Com medidas entre 0,5 cm e 1 cm, o mosquito vive uma média de 45 dias e uma fêmea é capaz de dar origem a até 1,5 mil novos insetos. Semelhanças Essas doenças têm em comum a evolução em pessoas com comorbidades, principalmente em casos de dengue e covid-19. “Quem tem doenças pulmonares, cardíacas, doenças renais, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, câncer, entre outras, estão mais vulneráveis”, explica o infectologista Eduardo Santos. Outra semelhança é o fato de todas dependerem unicamente da conscientização das pessoas. “Se cada um fizer a sua parte, estaremos protegidos contra essas e muitas outras doenças. Mas as pessoas precisam ter consciência disso e empatia pelo próximo”.