[[legacy_image_269206]] A professora Sabrina Marquez Vianna, de 30 anos, não esconde a saudade de pilotar uma moto. Chegou a renovar sua habilitação, mas o veículo, que lhe conferia liberdade de transitar pela Baixada Santista, está apenas na memória, fragilizada por um grave acidente sofrido às vésperas do Natal de 2020. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A principal sequela física de uma colisão contra uma van em Praia Grande, altura do Litoral Plaza Shopping, foi a perda de visão periférica do lado direito. Na mente, alimentada por relatos externos, ficou marcada uma jornada dura de reabilitação. e um alerta em meio o Maio Amarelo, que visa conscientizar motoristas e pedestres sobre cuidados no trânsito. O caso da moça que trabalhava em quatro escolas retrata apenas um dos quase 30 mil acidentes sem vítimas fatais na Baixada Santista entre 2019 e 2022. Esse número fica ainda maior, quando são computados os que deixaram mortos desde 2016 (1.741), com 1.836 vítimas fatais. Os dados são do Infosiga (sistema de monitoramento de acidentes de trânsito do governo de São Paulo) e mostram a dimensão do problema. No Estado de São Paulo, por exemplo, só no ano passado, foram 5.323 casos em que, pelo menos, uma pessoa veio a óbito durante ou após o acidente. O índice é 13,8% maior que o registrado em 2021. No acumulado dos doze meses de 2022, houve 178.641 casos de acidentes não-letais. "Não tenho medo de moto em si. Sinto até saudades. Tinha criado uma independência. Mas, infelizmente, e por conta dos outros, não dá mais para confiar. Se for um grupo de motociclistas, porque um ajuda o outro, pode ser. Mas sozinha, não. Não estou impedida (de utilizar a moto), mas minha consciência não permitiria como transporte diário", explica Sabrina. LembrançasTudo por conta daquele 23 de dezembro de 2020. Ela conta que tinha ido comprar um peru natalino e um presente para o irmão. Era por volta das 16h30: no baú, as compras de natal, e na mochila, o presente do irmão. Num piscar de olhos, o susto e o acidente que mudou sua vida. "Um carro freou com tudo. Não sabemos o motivo. Eu vinha atrás de uma van. Ela conseguiu frear, mas eu, não. Bati com tudo na porta dessa van. Não quebrei braço nem perna, mas tive fraturas no maxilar, onde faz a mastigação. Como sequela, perdi a visão periférica do lado direito", afirma a professora. Após uma semana de coma induzido, cirurgias para correção do maxilar e uma prótese para ajudar na mastigação, que deve ser trocada daqui a alguns anos, Sabrina vai recuperando, aos poucos, a sua vida cotidiana. Mas com a certeza, na prática, de que utilizar moto exige atenção total, já que tem sido utilizada cada vez mais. "Moto não tem cinto, parachoque, nada. É mais perigoso que acidente de carro. E muitas pessoas pegam moto porque aqui é tudo reto. Além disso, os preços são mais baratos que de carros", avalia.