[[legacy_image_284619]] A dengue tem chamado a atenção das autoridades de Saúde este ano. Na Capital, 2023 registrou o maior número de mortes pela doença desde 2015. Ao todo, 10 pessoas perderam a vida para a doença. Na Baixada Santista, Guarujá apresentou um aumento exponencial de casos. No primeiro semestre do ano, a Prefeitura registrou 764 ocorrências de dengue, contra 85 em todo o ano passado – mas sem mortes nos dois anos. Marco Antônio Chagas, superintendente de Vigilância em Saúde de Guarujá, explica que o aumento de casos tem diversos fatores, entre eles o clima. Segundo Chagas, o inverno de 2022, mais rigoroso do que o deste ano, interrompeu a transmissão da doença. Ele também destaca a falta do inseticida Cielo, usado para fazer a nebulização, como fator importante para o crescimento da dengue em Guarujá. “Quando temos esse inseticida em abundância, conseguimos fazer a nebulização em todo o Município. Neste ano, não conseguimos colocar as máquinas nas ruas porque necessita de uma grande quantidade de inseticida”. Ministério e EstadoO envio do inseticida é prerrogativa do Ministério da Saúde, que o repassa aos estados. Estes, por sua vez, fazem a distribuição aos municípios. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que não há falta do inseticida Cielo e que a distribuição para Guarujá ocorre normalmente. A nota também informa que, até o momento, o Estado não recebeu nenhum pedido das autoridades municipais solicitando maior quantidade. Em caso de necessidade, o Município deve acionar o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) da Baixada Santista para que uma nova quantidade do inseticida seja enviada. A Prefeitura de Guarujá afirmou que, além da nebulização, feita para reduzir a quantidade de mosquitos, equipes realizam o bloqueio de criadouros e fazem uso de larvicida para eliminar focos onde há reprodução de larvas. Além disso, é feito um trabalho de conscientização pela Secretaria Municipal de Saúde. [[legacy_image_284620]] Santos em quedaSantos vai na contramão da alta apresentada pela Capital e demais municípios da Baixada Santista. Em 2023, o Município registrou 139 casos de dengue nos sete primeiros meses e, de janeiro a julho de 2022, foram 262, sem óbitos. Segundo Ana Paula Valeiras, chefe do Departamento de Vigilância em Saúde, a queda no número de casos acontece desde 2021, ano em que a Cidade teve um grande número de registros da doença, com 4.461. “Em 2020, nós tivemos a pandemia de covid-19, e não pudemos fazer o trabalho que Santos faz há muitos anos para o controle de vetor”, justifica. Dentre as medidas tomadas pela Prefeitura de Santos, Valeiras destaca as vistorias feitas por agentes nas residências, os mutirões feitos em locais com maior incidência de dengue e um sistema de monitoramento de infestação do mosquito, além das nebulizações. ReflexoPor isso, de acordo com ela, o ano seguinte refletiu a ausência desses trabalhos. “Os ovos do mosquito podem eclodir até um ano após serem colocados nos reservatórios”, esclarece. Valeiras acrescenta que, mesmo em casa, a população não colaborou com o combate à dengue e que a participação dos munícipes é fundamental para diminuir a transmissão da doença. “Em 2022, tivemos essa queda de 91% no número de casos em relação a 2021, que é muito expressiva e acho que vai continuar assim se a gente continuar o nosso trabalho e se a população também colaborar”, afirma. Outras cidadesA tendência de alta nos números da dengue é verificada na maior parte dos municípios da Baixada Santista. Assim como Guarujá, Bertioga teve um aumento expressivo de casos. Foram 892, enquanto em 2022, de janeiro a julho, 112 casos acabaram contabilizados, sem registro de mortes. Mongaguá também teve um aumento significativo. Este ano, foram 37, quase o dobro dos casos de todo o ano passado: 19. Em Itanhaém, foram contabilizados 150 casos em 2023. Durante todo o ano passado, o Município teve 100 pessoas diagnosticadas com a doença. Nos dois municípios não houve mortes. Praia Grande, Cubatão, São Vicente e Peruíbe também seguem a tendência. Praia Grande, que havia diagnosticado 31 pessoas com dengue em 2022, registrou 51 casos de dengue neste ano. Cubatão tem 44 diagnósticos positivos neste ano, marcando um aumento de 11 casos em relação ao mesmo período do ano passado, que totalizou 33 registros da doença. O Município não registra óbitos em 2023, mas tem um caso em investigação ocorrido ano passado. Em São Vicente, a Secretaria de Saúde (Sesau) confirmou 136 casos de dengue de janeiro a julho deste ano. No mesmo período do ano passado, foram 121 casos. Não houve óbitos nos dois anos. A Prefeitura de Peruíbe informou, em nota, que registrou 92 casos de dengue neste ano, o que representa um “pequeno aumento do número de casos em relação ao ano anterior”, e que não contabilizou nenhuma morte. Contudo, os números de 2022 não foram especificados.