[[legacy_image_106276]] O tipo de imóvel procurado pelo consumidor na Baixada Santista mudou nos últimos meses. Depois do boom envolvendo casas e apartamentos maiores por conta do home office, as moradias de menor porte voltaram a atrair as atenções. Tudo porque, de acordo com especialistas em mercado imobiliário, os potenciais compradores têm notado que é possível adaptar espaços para o trabalho em casa. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Uma pesquisa elaborada pela consultoria Brain, a pedido do Secovi (Sindicato da Habitação), aponta que unidades de dois dormitórios são as que mais possuem ofertas lançadas na Baixada Santista no segundo trimestre, correspondendo a 65,5%, enquanto as unidades de menor disponibilidade são as de quatro ou mais dormitórios (1,3%). Diante disso, as construtoras focaram os lançamentos de acordo com a demanda, segundo o diretor regional do Secovi, Carlos Meschini. “O pessoal tem adaptado o home office em casa mesmo, no espaço que tem, sem a necessidade de buscar um espaço maior só por causa dessa finalidade”. “A tendência do mercado se volta a imóveis de dois dormitórios. A gente acha que as vendas vão aumentar, vão ter muito mais lançamentos e as coisas devem melhorar bastante neste semestre”, afirma Meschini. Novos lançamentos O presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Ricardo Beschizza, diz que a procura por imóveis na pandemia e a pausa nas atividades do setor reduziram a quantidade do estoque, o que deve impulsionar novos empreendimentos. “Como teve um consumo do estoque porque ficou tudo parado, começou a abrir espaço para lançamentos. Santos retomou esses lançamentos na velocidade de venda, que é uma característica local. Santos está dentro da expectativa, vendeu-se o que tinha de estoque, então houve uma necessidade de ir à rua fazer lançamentos”, afirma ele. Uma consequência disso é a dificuldade de encontrar espaços para esses empreendimentos. De acordo com o diretor do Secovi, Santos não tem muito espaço e isso afeta o mercado. “Guarujá e Praia Grande ainda têm bastante. São Vicente também não possui muito e sofre um pouquinho”. O diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), Lucas Teixeira, define o ciclo da construção na Baixada Santista como algo muito demorado. “Comprar um terreno, fazer um projeto, aprová-lo na Prefeitura, orçar e produzir compõem um ciclo muito extenso, principalmente aqui na região, porque é difícil comprar um terreno. Falamos em um ciclo de quatro a cinco anos”. [[legacy_image_106277]] Trabalhando diretamente para construtoras, incorporadores e imobiliárias, o arquiteto Claudio Abdalla, do escritório Abdala + Whitaker, explica que o fato das pessoas terem ficado mais tempo em casa gerou anseio de um espaço aberto em casa, como as varandas. “A encomenda que chega para nós e cada vez com mais força é a varanda, mais do que home office, porque este acaba sendo a adaptação de um cômodo, abertura de um quarto, incorporação de um quarto à sala, sempre tem um jeito de ajustar o projeto para atender essa necessidade. A varanda é um anseio, que se não estiver no projeto não tem como resolver. O home office também é um anseio, mas sem procura tão evidente”. O arquiteto se monstra otimista com o setor. “O momento agora é de recuperação desse mercado, que ficou parado na pandemia. Há uma demanda maior pela produção de estudos, compras de terrenos, definição de novos projetos e novas incorporações. Estou vendo de forma muito otimista essa recuperação do mercado, que acho que vai caminhar em uma direção muito boa. Tenho impressão que o mercado imobiliário esgotou seu estoque e vai ter que produzir mais para poder atender a demanda reprimida”. Otimização do espaço Segundo Abdalla, quem tem um imóvel grande pode rearranjar o espaço ao definir um novo layout para a mobília - opção que é tratada como a mais econômica. Mas para quem precisa de um local para home office que não pode ser integrado a outrosambientes, fazer compartimentação deve ficar um pouco mais caro. “Desde os apartamentos menores até os maiores, sempre a gente conseguirá rearranjar um layout que atenda para que se tenha um canto em que se possa trabalhar com tranquilidade, com equipamento, que é o que precisa. E, quando for uma habitação um pouco maior, dá para fazer coisas mais completas”.