[[legacy_image_19704]] As vésperas do início do lockdown na Baixada Santista, supermercados e bancos foram os setores mais procurados pela população. Com isso, o surgimento de filas acabou ocorrendo em alguns lugares. Na Caixa Econômica, no Centro de São Vicente, por exemplo, a fila quase dobrava o quarteirão. Era muita gente e o pior: sem a manutenção do distanciamento necessário. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A auxiliar de limpeza, Diana dos Santos Soares, 46 anos, precisava sacar um dinheiro no caixa e não tinha alternativa a não ser esperar. “Amanhã [nesta terça, 23] não terá atendimento. Não tenho como sacar o dinheiro no caixa eletrônico. Então, vou ter de aguardar. Mas está muito aglomerado”. A dona de casa, Jaqueline Rodrigues Torres, 31 anos, também tinha de ir ao caixa para fazer uma transferência. “Não consigo resolver no caixa eletrônico. Preciso do serviço no guichê e amanhã [nesta terça, 23] não tem. Mas a fila está demais e olha que nem estão pagando o auxílio emergencial de novo”. Supermercado Já nos supermercados, eram poucas as unidades que apresentavam filas para a entrada. Em um atacadista, apesar da espera para entrar, a capacidade de atendimento não estava nem perto de chegar ao limite, conforme o gerente, que preferiu não se identificar. “Sexta-feira, quando falaram que começaria a partir de terça-feira, o movimento foi bem grande. Mas, hoje, está dentro das expectativas”. Segundo ele, não há necessidade de correria, uma vez que as lojas ficarão abertas de segunda a sexta e “não há risco de desabastecimento”. “No nosso caso, não vamos abrir aos finais de semana. Não temos delivery. Estamos também providenciando vans para deslocar os funcionários”. Apesar disso, a cabeleireira Vilma Barbosa Bittencourt, 52 anos, saiu com o porta-malas cheio após as compras feitas pela manhã. Ela diz que antecipou as compras do mês, que faria somente no dia 30, por conta do lockdown. “Praticamente, ninguém em casa vai sair. A exceção é uma filha que trabalha na área de saúde. E só. Estamos cumprindo tudo direitinho desde o ano passado. Eu mesma parei de atender as clientes, fazia em casa, mas é um risco receber pessoas. Então não estou trabalhando. O dinheiro faz falta. Mas fazer o quê?”, diz. O comerciante Paulo Silva, 63 anos, foi renovar o estoque de um pequeno comércio que tem em Cubatão. Ele também vende ovos pelos bairros da Cidade. “Minha mulher cuida da vendinha e eu saio com o carro vendendo os ovos. Se não puder ir para a rua, vou reforçar o trabalho com ela. Esse é o nosso ganha-pão”, disse. Adelson Costa, 52 anos, é autônomo e trabalha com entrega de compras em supermercado. Ele diz que não sabe como serão os próximos dias. “Com tudo fechado, a procura vai cair bastante. Atendo muito pequenos comerciantes e o movimento já caiu uns 80%. Já houve dia de fazer uma corrida de R\$ 25,00 e só”. Ele já teve covid-19 em abril do ano passado. Disse que teve sintomas leves. Mas passou dois meses com algumas sequelas. “É uma preocupação com a saúde minha e da família e com o bolso. É uma guerra todo dia”. Abastecimento O vice-presidente da Associação Paulista dos Supermercados (Apas), Omar Abdul Assaf, descarta desabastecimento nos supermercados e prevê aumentos de preço por conta do lockdown. Segundo ele, houve uma elevação em diversos itens já há algum tempo por conta de crescimento nas exportações e da alta do dólar. Ele diz ainda que pedirá ao prefeito de Santos, Rogério Santos, uma revisão no horário do transporte coletivo devido, principalmente, ao horário de saída dos funcionários. A solicitação também deverá ser feita aos demais prefeitos. “Muitas moram nas cidades vizinhas e trabalham em Santos. Precisa ter essa atenção. O pessoal não sai às 20 horas. As lojas fecham e os funcionários ainda fazem uma limpeza, há umas séries de serviços que precisam ser feitos depois”. Outro pedido será em relação à abertura de lojas aos finais de semana, pelo menos nas áreas mais periféricas, e mesmo com um horário reduzido, explica Assaf. “Nossa região tem um cinturão de pessoas menos favorecidas, que não têm aplicativo, cartão de crédito e nem dinheiro para fazer estoque para final de semana. Muitas acabam de fazer um serviço e correm para o supermercado para comprar alimentos. Fiz esse apelo para não deixar essa população desabastecida”. Resposta A Prefeitura de Santos informou, em nota, que vêm ocorrendo reuniões com “diversas entidades dos serviços considerados essenciais e portuários”. Acrescentou, ainda, que cada cidade tem avaliado essas questões pontualmente, de acordo com suas necessidades e características e que a determinação para fechar os supermercados nos fins de semana foi um “consenso regional, do Condesb”. Isso porque algumas cidades consideram a abertura “estímulo ao turismo” e, para desestimular esse movimento houve a decisão do fechamento das unidades aos fins de semana. “Situações pontuais estão sendo estudadas”.